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Histórias do futebol: Telê Santana não resiste a empate com o Barretos e pede demissão do São Paulo em 1973
Por Mazinho Dias: A consagrada trajetória de Telê Santana no São Paulo, eternizada pelos títulos e pelo futebol refinado da década de 1990, contrasta com o início turbulento de sua relação com o clube, pois muito antes de se tornar ídolo absoluto da torcida tricolor, o treinador viveu, em 1973, uma passagem breve, marcada por conflitos, resultados irregulares e uma saída precipitada e selada após um empate que ficou marcado negativamente em sua trajetória.
Contratado no fim de 1972, após conquistar o Campeonato Brasileiro com o Atlético Mineiro, Telê chegou ao Morumbi cercado de expectativa e seu contrato, firmado em 29 de dezembro, previa um ano de trabalho, mas duraria pouco mais de sete meses.
A estreia ocorreu em 21 de janeiro de 1973, em amistoso contra o Guarani, em Campinas, terminando empatado sem gols, porém, desde os primeiros dias, o treinador encontrou dificuldades para implementar sua filosofia.
Adepto de disciplina rígida, treinos intensos e comprometimento absoluto, Telê esbarrou em um elenco acostumado a uma rotina mais flexível e o choque de culturas foi imediato e se agravou com o passar das semanas.
Insatisfeito, o técnico tomou decisões duras, afastando jogadores importantes como Toninho Guerreiro, Édson, Roberto Dias e Paraná (que havia dado uma entrevista questionado os métodos de Telê) o que aumentou o desgaste interno e dividiu o ambiente no clube.
A crise nos bastidores logo se refletiu dentro de campo e em 29 partidas no comando, Telê somou 10 vitórias, 14 empates e cinco derrotas, números considerados abaixo das expectativas para um clube do porte do São Paulo, e o desempenho irregular também marcou a campanha no Campeonato Paulista, que naquele ano teve um calendário atípico.
A competição foi interrompida após o primeiro turno devido às excursões da Seleção Brasileira pela África e Europa, em preparação para a Copa do Mundo de 1974 e durante a paralisação, a Federação Paulista organizou a “Taça Cidade de São Paulo”, vencida pela Portuguesa diante do Palmeiras pelo placar de 3 a 0, enquanto o Santos Futebol Clube sequer participou por também estar excursionando.
Sem jogos oficiais, o São Paulo disputou amistosos para manter o ritmo e nesse período, a equipe perdeu no Morumbi para o Saad, de São Caetano, por 2 a 1, em seguida, venceu o Marília fora de casa por 2 a 0, com dois gols de Pedro Rocha e, na sequência, enfrentou o Barretos, no estádio Fortaleza, no dia 1º de julho de 1973, ocasião em que Telê Santana encontrou o estopim de uma crise já instalada.
Irritado com o resultado, Telê Santana fez duras críticas e protagonizou uma declaração que repercutiu negativamente, afinal, ao comparar adversários, afirmou que o São Paulo havia vencido o Marília, “um time forte”, mas empatado com o Barretos, que classificou como “time fraco”.
A fala ampliou a pressão externa e escancarou o desgaste interno vivido pelo treinador, e, naquela altura, a relação com o elenco já era insustentável, além do mais, o próprio Telê não escondia sua frustração com a postura dos jogadores, chegando a declarar, ao deixar o clube, que sua saída representava “uma vitória da indisciplina”.
A ruptura definitiva ocorreu pouco depois: às vésperas da retomada do Paulista, antes de um confronto contra o Botafogo em Ribeirão Preto, o treinador pediu demissão e com a saída de Telê, o auxiliar José Poy assumiu o comando da equipe, com o São Paulo vencendo com dificuldades por 2 a 1.
Daí para diante, Telê Santana retomou ao Atlético Mineiro e o São Paulo seguiu na competição, mas teve desempenho modesto, terminando apenas na oitava colocação geral, tendo a decisão do campeonato daquele ano ficado marcada por polêmica: Santos e Portuguesa acabaram dividindo o título após erro do árbitro Armando Marques na contagem das cobranças de pênaltis.
Então, foi assim a primeira passagem de Telê Santana pelo São Paulo, terminando de forma melancólica, distante do legado que construiria anos mais tarde, quando viria a ser símbolo máximo de organização, disciplina e futebol vistoso, contudo, em 1973, ele deixou o clube pressionado, incompreendido e derrotado por um contexto que ainda não estava pronto para absorver suas ideias, que não admitia não ganhar de “time fraco”.
Jogos de hoje pelo Brasileirão
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21h30- Corinthians x Chapecoense