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Brasil é eliminado da Copa e encerra um ciclo que já dava sinais de esgotamento
Por Mazinho Dias: A eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 não pode ser tratada como uma surpresa, pois a derrota para a Noruega apenas confirmou o futebol brasileiro chegou ao Mundial sem identidade, sem padrão de jogo e sem transmitir confiança ao seu torcedor.
Nas Eliminatórias Sul-Americanas o Brasil fez uma campanha extremamente decepcionante, terminando apenas na quinta colocação entre as seis vagas diretas para o Mundial, com 18 partidas, oito vitórias, quatro empates e seis derrotas, números muito distantes de sua tradição, e como se isso não bastasse, o período foi marcado por uma enorme instabilidade, com três treinadores diferentes tentando encontrar um rumo que jamais apareceu.
Outro erro foi a interminável discussão sobre a convocação de Neymar, que durante meses gerou debate sobre sua presença ou ausência na Copa, e no fim, ele foi convocado mesmo estando muito distante de sua condição física ideal para disputar a competição mais importante do futebol mundial, e desta forma, foi figura secundária.
Em sua estreia o Brasil sofreu para empatar com Marrocos, já contra a frágil seleção do Haiti, fez um bom primeiro tempo, mas voltou completamente desligado para a etapa final e diante do Japão, aconteceu justamente o contrário: uma primeira etapa bastante ruim, seguida do melhor futebol apresentado pela equipe na Copa, suficiente para buscar a virada, embora ainda sem encantar.
Contra a Noruega, o cenário era claro e não havia segredo: O poder ofensivo norueguês estava concentrado em Erling Haaland, e se o atacante fosse neutralizado, as chances de classificação brasileira seriam enormes, no entanto, o que parecia mais previsível aconteceu, e o Brasil, com sua mais fraca Seleção desde a Copa de 1950 (quando o torneio passou a ganhar a dimensão que conhecemos hoje), não conseguiu anular a principal arma adversária e acabou castigado duas vezes pelo mesmo jogador.
É impossível ignorar também a responsabilidade de Carlo Ancelotti, e apesar de seu currículo dispensar apresentações e ninguém questionar sua competência, nesta Copa, suas escolhas pesaram negativamente, pois o treinador insistiu em atletas que passaram longe do ideal, como Casemiro, Danilo, Raphinha e Matheus Cunha.
No caso de Matheus Cunha, a insistência chama ainda mais atenção, pois antes do Mundial, o atacante acumulava apenas dois gols em 23 partidas pela Seleção Brasileira, e é difícil compreender como um jogador com esse retrospecto disputa sua segunda Copa do Mundo e ainda chega ao torneio como titular.
Além das escolhas equivocadas, detalhes importantes contribuíram para a eliminação, como o pênalti desperdiçado, que teve enorme peso emocional, além disso, no segundo tempo, a Noruega controlou completamente as ações, chegando a ter aproximadamente 75% de posse de bola e quase o dobro de passes trocados em relação ao Brasil, e para completar, Endrick desperdiçou uma oportunidade clara que poderia mudar completamente a história da partida e de jovem sua carreira.
Ancelotti também errou ao colocar Neymar em campo naquele momento, pois com o placar ainda em 0 a 0, o camisa 10 pouco ou nada poderia acrescentar e, se ele sequer entrou diante do Japão quando a equipe precisava buscar o resultado, por que utilizá-lo justamente contra uma seleção fisicamente muito mais forte como a Noruega? Sua entrada acabou desorganizando ainda mais o time e o Brasil não possuía um modelo de jogo capaz de potencializar suas características e tampouco ganhou maior poder de marcação.
Particularmente, acredito que o próprio Neymar talvez não devesse ter participado desta Copa do Mundo, e para mim não seria surpresa se, no futuro, mais maduro e distante da pressão do momento, ele próprio reconhecesse que disputar o torneio sem estar plenamente recuperado não foi a melhor decisão.
A Copa terminou, o sonho do hexacampeonato foi novamente adiado e, ao que tudo indica, também chegou ao fim um ciclo de jogadores que jamais conseguiu corresponder às expectativas criadas em torno da Seleção Brasileira: Uma geração que, apesar de alguns talentos individuais, nunca demonstrou força coletiva suficiente para recolocar o Brasil no topo do futebol mundial.
O futebol brasileiro precisa de planejamento, convicção, renovação e, principalmente, de uma identidade dentro de campo e apenas trocar nomes não será suficiente…sigamos!
Jogos de hoje pela Copa do Mundo
13 horas- Argentina x Egito
17 horas- Suíça x Colômbia