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sábado, 02 de março de 2024

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Zelar, mais que cuidar!

Em nossos tempos é cada vez mais comum depararmo-nos com situações que sugerem refletir acerca da relação entre ‘cuidado’ e ‘zelo’. Segundo o dicionário cuidar significa ‘tratar da saúde, do bem-estar’, enquanto zelar significa ‘vigiar, proteger, tomar conta de alguém ou alguma coisa com toda a atenção e interesse’. Muito embora, de maneira gera,l não façamos distinção entre estes conceitos, a realidade sugere-nos considerá-los, tanto naquilo que se complementam, quanto naquilo que se distinguem.
Pela prática a realidade do cuidado parece-nos mais acessível pois é sensível, material. Para ilustrar a realidade do zelo, valemo-nos da figura bíblica do Pastor. “Procura conhecer o estado de suas ovelhas; põe o teu coração sobre o teu rebanho” (Pr 27,23); O salmo 22 manifesta, claramente, o zelo que o Pastor dispensa ao rebanho. Por fim, Jesus define-se ‘O Bom Pastor’, manifestando, como atitude extrema de zelo, a capacidade de dar a vida pelas ovelhas; invertendo a lógica natural, Ele entrega-se pelo rebanho.
Enquanto o cuidado, por si só, não sugere engajamento, o zelo pode ser definido como o cuidado amoroso. Há tantos que cuidam, e cuidam muito bem, inclusive profissionalmente, sem necessariamente amar. Por tempos compreendemos a missão dos genitores quase que única e exclusivamente como sinônimo de cuidado: á mãe competia educar, ao pai competia prover. De repente, damo-nos conta de que cuidamos tanto, fizemos tanto, e nada, quase nada, ou, muito pouco, recebemos.
O desespero de muitos se resume na questão: “Onde foi que eu errei”? O pavor de tantos outros se manifesta na exclamação: “Não deixa nada faltar!”. Expressões desta natureza evidenciam o quanto se investiu em cuidado, e o quanto não se investiu em zelo. Constatação: somos educados ao cuidado não necessariamente atrelado á capacidade de amar; somos educados á manutenção da imagem, ignorando o que, de fato, mais importa, o ser do outro, assim como o nosso próprio ser.
Conseqüência da dinâmica que preza, estritamente, pelo cuidado e desconsidera o zelo? Estamos ás portas de um colapso que, como um vulcão em erupção, engole as dimensões fundamentais da pessoa humana. Se pessoa, família, sociedade estivessem, simplesmente, em crise, seria ótimo, pois crises apontam superação. Nem a crise alcançamos! Não admitimos o estado de ignorância e insensibilidade no qual nos encontramos, assim como negamos os mecanismos, através dos quais, inteligentemente, nos justificamos.
Há esperança! Zelemos uns dos outros, cuidemos com amor, ofereçamos nossas vidas, como Jesus, o Bom Pastor por excelência, disse, ensinou e fez!

 

 

 

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em
Psicologia
ivanpsicol@hotmail.com

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