Ir para o conteúdo

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Artigos

Você já ouviu falar sobre comorbidade?

Comorbidade é o conceito utilizado para descrever a coexistência de transtornos ou doenças, e não de sintomas. Ou seja, quando o mesmo indivíduo apresenta diagnóstico de mais de uma doença/ transtorno.
O abuso de substâncias é o transtorno coexistente mais frequente entre os portadores de transtornos mentais, sendo os mais comuns: transtornos de humor, como a depressão, transtorno bipolar, de ansiedade e transtornos de personalidade. Com a prática na área de dependência química percebo um crescente número de pacientes que procuram tratamento para dependência, mas apresenta em seu quadro clínico critérios diagnósticos para outros transtornos.
Em alguns casos, a família e até mesmo o próprio sujeito está consciente e ciente da existência da comorbidade e quando isso ocorre geralmente o indivíduo já faz acompanhamento e/ou tratamento para o outro transtorno. Mas, tem outros casos em que é nítida e perceptível a comorbidade, porém, a família omite com o sentimento de medo de ser rejeitado o tratamento da dependência química desse paciente, mas há também os casos em que o uso da substância tornou-se tão crônico que a família não consegue diferenciar o que é normalidade e o que é patológico e muitas vezes também nem sequer procurou ajuda médica para que pudesse esclarecer sobre os sintomas apresentados e a diferenciação dessa normalidade e patologia.
O transtorno que tem sido percebido como mais comum quando há a comorbidade é o transtorno de personalidade “esquizofrenia”. Isso é preocupante pelo fato de ser um transtorno grave e na maioria dos casos não está em tratamento para o mesmo. A maior dificuldade é a ausência das famílias desses indivíduos para fornecer informações de há quanto tempo ele apresenta esses sintomas, se isso foi a consequência do uso abusivo de substâncias, se há casos na família. Ou seja, não há um respaldo familiar, por isso nesses casos, os profissionais que acompanham esse paciente precisa buscar realizar o trabalho multidisciplinar para poder oferecer o tratamento adequado para o paciente levando em consideração sua saúde e bem estar assim como bem estar social.
Outra dificuldade frequente com o público que apresenta essa comorbidade é a resistência em fazer o acompanhamento médico e farmacológico necessários para o controle e o equilíbrio dos sintomas e melhor convivência social. Não reconhecem seus pensamentos, comportamentos como disfuncionais, por isso, não percebem a necessidade de um tratamento.
O que fazer nesses casos? Devemos realizar o psicodiagnóstico com as ferramentas adequadas para poder conscientizar o paciente sobre a existência da comorbidade, realizando a psicoeducação sobre o transtorno e o tratamento encaminhando para profissionais especializados, tudo de forma realista e sincera, colocando-nos a disposição para sanar suas dúvidas, mostrar-lhes que não os únicos que apresentam esse transtorno, que tem como ter uma vida normal com o tratamento. Ou seja, o paciente não pode ser enganado sobre sua situação, pois dessa forma, não poderemos ajudar e consequentemente ele não apresentará melhora em nenhum de seus quadros.
O tratamento dos transtornos que o indivíduo apresenta deve ser realizado concomitantemente, independentemente de qual é causa e qual é consequência. Se tratarmos um e não tratarmos o outro o paciente sempre está em situação vulnerável. Não podemos vê-lo em partes, mas sim no seu todo, na sua complexidade.
 
 
 
Gabriela Nunes Malosso
Psicóloga 
CRP 06/124683
 

Compartilhe: