terça-feira, 20 de outubro de 2020

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Você dorme bem?

Existem cada vez mais evidências de que o estilo de vida influencia diretamente no desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas, como obesidade, diabetes mellitus e até o câncer. E o que entendemos por estilo de vida, é basicamente como nos alimentamos, exercitamos, dormimos e controlamos o estresse. Neste artigo, quero falar especificamente de como dormimos. A mudança do status de vigília (quando estamos acordados) para o sono é controlada por hormônios e neurotransmissores, que em conjunto contemplam o que chamamos de ciclo circadiano.
O maestro do despertar, é sem dúvida nenhuma o hormônio cortisol, produzido e secretado pela glândula adrenal. Ele estimula um complexo sistema neurológico chamado sistema reticular ativador ascendente, que, através da liberação de neurotransmissores como adrenalina, dopamina, serotonina e histamina, estimulam o córtex cerebral, promovendo o despertar e capacitação do nosso organismo para responder a estímulos neurológicos e musculares.
Com o passar do dia, a secreção de cortisol vai caindo, atingindo valores próximos a zero por volta das 23h. Coincidindo com a queda de cortisol, há início da produção da melatonina, hormônio produzido pela glândula pineal em resposta à queda do estímulo luminoso (A luz ativa a produção de neurotransmissores inibitórios, não deixando que ocorra a produção de melatonina pela Pineal). Este hormônio é sem dúvidas, nosso maestro da noite, responsável pelo início e manutenção do sono em suas diversas fases.
Quando há quebra nessa regulação hormonal, há o desenvolvimento de uma patologia chamada insônia.
Há diversos tratamentos para insônia, dentre eles medicamentos que atuam sobre receptores benzodiazepínicos (como o zolpidem e o eszopiclona), medicamentos benzodiazepínicos (como o alprazolam ou clonazepam) com todos os seus efeitos colaterais a longo prazo relacionados a síndromes demenciais, medicamentos ansiolíticos sedativos, como a trazodona ou psicotrópicos como a quetiapina. Todos devem ter uma avaliação médica criteriosa para indicação de conduta e segmento, lembrando que TODOS os citados aqui possuem efeitos colaterais a longo prazo e não devem ser usados de forma contínua. Devemos sim, tratar o sono. Tratar o sono é tratar saúde, tratar a insônia é tratar a doença.
Devemos sempre procurar causas que interferem no eixo cortisol-melatonina, como controle do estresse crônico (tanto mental quanto físico – em pacientes que fazem atividade física demasiada, chamada de overtraining) e promoção do que chamo de higiene do sono, que nada mais é do que promover um ambiente adequado para a produção do hormônio melatonina (baixa luminosidade, calmo e sem barulhos).
Medidas de relaxamento como massoterapia, yoga e meditação pode contribuir e muito com essa fase. Procure manter sempre a higiene do sono e se você for um usuário de medicamentos para insônia, discuta com seu médico sobre tratamentos alternativos como fitoterápicos ou modulação de melatonina e neurotransmissores. Lembre-se que noites mal dormidas promovem um mal funcionamento do nosso organismo, ocasionando as doenças citadas no começo deste artigo. A boa medicina é aquela em que adotamos medidas para colher saúde e não aquela em que tratamos doenças.

Dicas para dormir melhor

– Tenha horários regulares para dormir e acordar
– Prefira os horários da manhã ou início da tarde para praticar exercícios físicos
– Evite ingerir alimentos pesados e bebidas com cafeína no final do dia
– Tente não se expor tanto a
luz durante a noite e neste período, procure fazer atividades relaxantes
-Evite dormir mais do que 30 minutos durante o dia

Se cuidem. Abraços e até a próxima!
Dr Jorge Chade Rezeck CRM 140.333

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