Ir para o conteúdo

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Artigos

Viver a Fraternidade

A Campanha da Fraternidade termina, mas o período da Quaresma nos mostra que o amor de Jesus Salvador subsiste em nossa substância, convidando-nos a repartir esse amor. 
O Texto-Base da CF-2015 mostra-nos que a Campanha da Fraternidade buscou despertar e nutrir o espírito comunitário e a verdadeira solidariedade na busca do bem comum e ainda educar para a vida fraterna, para a justiça e para a caridade, ou seja, as exigências éticas centrais do Evangelho. 
A Campanha foi uma oportunidade para fortalecer laços comunitários e animar a pastoral de conjunto. As dioceses, paróquias, comunidades e grupos reuniram suas lideranças e estudaram o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, um tema instigante, pois os fiéis da comunidade são membros da sociedade e chamados a evangelizá-la em suas várias dimensões. 
Objetivo geral foi aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus. 
A Campanha teve ainda outros objetivos específicos como, por exemplo, fazer memória do caminho percorrido pela Igreja com a sociedade, identificar e compreender os principais desafios da situação atual; apresentar os valores espirituais do Reino de Deus e da doutrina Social da Igreja; aprofundar a compreensão da dignidade da pessoa, da integridade da criação, da cultura da paz, do espírito e do diálogo inter-religioso e intercultural, para superar as relações desumanas e violentas; atuar profeticamente, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para o desenvolvimento integral da pessoa e na construção de uma sociedade justa e solidária. 
E, é claro, a política também foi tema presente na Campanha. O Brasil, após a redemocratização na década de 1980, consolidou um processo democrático com participação em partidos e outras instituições da sociedade civil. Mas, este processo sofre sistematicamente com a corrupção, uma das principais preocupações das pessoas. O reflexo dessa situação pode ser notado no declínio da confiança nas instituições políticas e na administração dos governos. 
O combate à corrupção requer na base a formação moral e ética das pessoas e o aprimoramento do processo político para coibir tais abusos. A despeito de todos os esforços empenhados e do vigor mostrado pelas manifestações nas ruas em todo o país, os resultados concretos foram limitados e ainda não aconteceu uma efetiva reforma política e social. 
Diante dessa situação, é animador perceber que um instrumento como a Lei da “Ficha Limpa” impediu, no pleito de 2014, a candidatura de políticos condenados, inclusive entre os acostumados a expressivas votações. 
O aprimoramento do processo político e a qualificação dos políticos e dos partidos requerem o empenho e a participação dos cidadãos conscientes, e, por isso, dos cristãos. A luta pela reforma política é a maneira de os cristãos se colocarem contra o difuso sentimento de decepção e descrença na política institucional que paira na sociedade 
 
 
Mario Eugenio Saturno (cienciacuriosa.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. 

Compartilhe: