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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Artigos

Viva mais e melhor

Estamos vivendo mais, é um fato – visível aos olhos de todos e comprovado estatisticamente. Sabemos pelo IBGE que a expectativa de vida do brasileiro pulou de 70,7 anos, em 2001, para 74,6, em 2012. Hoje, são 21 milhões de idosos no Brasil. O que descobrimos recentemente é que o cenário em que vivem os planos de autogestão já é o que a Organização Mundial da Saúde (ONU) espera para o Brasil em 2050, quando a população idosa brasileira passará de 7,8% para 23,6%, se comparado à evolução dos anos de 2000 a 2050.
A revelação veio por meio da pesquisa inédita da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (UNIDAS), em parceria com o Centro Paulista de Economia da Saúde (CPES) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A análise mostrou que, acompanhando a longevidade do brasileiro, o número de beneficiários de planos de saúde, com idade acima de 60 anos, aumentou. 
Em 2012, o número atingiu 902.349 beneficiários de autogestão, o que representa 22,8% do segmento. A população de 70 anos ou mais passou de 9,9% em 2006 para 11,4% em 2012. Além disso, 4,5% dos beneficiários de planos de autogestão têm 80 anos ou mais, sendo que no setor de saúde suplementar, o percentual é de 1,9%. O número de beneficiários acima de 100 anos chegou a 987 pessoas no ano passado. 
Recentemente, o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) com base na atualização de dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), identificou que os planos de saúde cresceram em 2013 impulsionados pela terceira idade – a faixa etária com maior crescimento de beneficiários de planos médico-hospitalares em 2013 foi a de 59 anos ou mais. O total de beneficiários nessa faixa cresceu 5,1% na comparação anual.
Há de se comemorar o aumento da expectativa de vida, é verdade. Mas algumas perguntas inquietam especialistas da área de Saúde. Estamos vivendo melhor? Chegamos bem à velhice? Façamos um balanço. A longevidade trouxe à reboque o aumento na incidência das doenças tidas como senis: Alzheimer e Parkinson, assim como dos males da vida moderna, doenças cardiovasculares, hipertensão, depressão, diabetes. A luz amarela acendeu. 
O fato é que os principais problemas de saúde que afetam a população podem ser dimensionados e, na maioria das vezes, podem ser prevenidos. Se vamos viver mais, que saibamos mudar nossos hábitos desde já, de olho na qualidade de vida lá da frente. Por isso cada vez mais a UNIDAS incentiva e implementa programas, projetos, campanhas e iniciativas em prol da saúde, por parte do setor da Saúde Suplementar. 
Sustentabilidade é o grande desafio. O crescimento das despesas assistenciais, a incorporação de novas tecnologias e o envelhecimento da população assistida fazem parte da agenda prioritária não só das autogestões, mas também de todo o setor. É preciso continuar investindo na profissionalização da gestão e em sistemas que possam garantir ainda mais a efetividade dos serviços prestados, evitando os desperdícios.
E, para cada um de nós, devem estar na pauta do dia os cuidados rotineiros com a alimentação, os exercícios físicos regulares e a atenção minuciosa à saúde do corpo e da mente. Que o brasileiro não deixe o acompanhamento médico e a adesão aos planos médicos para quando os cabelos brancos apontarem. A saúde é uma responsabilidade de todos.
 
Denise Eloi – presidente da UNIDAS – União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde

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