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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Artigos

Virgínia Lane – “A Vedete do Brasil”

Charme, irreverência, malícia, comicidade, valorização do corpo feminino, grandes coreografias, cenários e figurinos, com muitas plumas e lantejoulas, críticas aos costumes, ao governo e sátiras aos políticos faziam parte do “Teatro de Revista” ou, simplesmente “Revista”, gênero de teatro, muito popular, onde predominavam os números musicais e as danças. A “Revista” teve seu auge entre os anos 1930 e 1950, atravessando toda a ditadura Vargas até o governo de Jânio Quadros. As atrizes e bailarinas eram denominadas “vedetes”. O mais famoso foi o Teatro Recreio, situado na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro, então Capital Federal. Por outro lado os políticos mais assanhados eram assíduos freqüentadores das “revistas”, enviando flores aos camarins, chegando até a flertar com as vedetes. O presidente Getúlio Vargas, fazia parte dos freqüentadores, usando os camarotes do Teatro Recreio, se deliciando com as gozações e caricaturas de que era alvo. Foi Vargas quem atribuiu a Virginia Lane, o título de “A Vedete do Brasil”, durante a temporada da revista “Seu Gegê”. Os freqüentadores mais velhinhos ocupavam a fileira da frente, apelidada de “a turma do gargarejo”.  
Uma das mais famosas vedetes do teatro de revista foi Virginia Lane, cujo nome de batismo é Vírginia Giaccone, nascida no bairro do Estácio, no Rio Janeiro, a 28 de fevereiro de 1920, iniciando sua carreira artística aos quinze anos de idade, em 1935, como cantora revelação na recém-inaugurada Rádio Mairink Veiga, no programa do radialista Cesar Ladeira. Em 1943, foi contratada pelo “Cassino da Urca” e logo depois, tornou-se “cronner” da orquestra do maestro Vicente Paiva, que se apresentava naquele cassino. Em 1945, Virginia foi para Argentina, onde trabalhou na Rádio Splendid e na boate Tambarís. Em 1948, de volta ao Brasil, iniciou sua carreira de vedete, estreando no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, na revista “Um milhão de mulheres”, obtendo enorme sucesso, despertando interesse de Walter Pinto, o maior empresário do teatro de revista. Virgínia Lane foi sucesso absoluto de bilheteria no Teatro Recreio. Em 1950, gravou a marcha carnavalesca “Sassaricando”, alcançando um enorme sucesso. Ela, além de atuar, foi administradora de sua própria companhia de revista, se apresentando no Teatro Municipal de Niterói, depois adquiriu um ônibus, viajando por todo o país, com suas Virginetes, obtendo grande sucesso. Em 1958, após várias aventuras amorosas, casou-se de véu e grinalda, no Outeiro de N. S. da Glória, com o médico Sérgio Kröeff. Durante sua trajetória artística, em uma carreira bem sucedida, participou de mais de trinta filmes e cem peças de teatro, programas da TV Tupi, e mais recentemente atuou na novela “Belíssima”, da TV Globo.     
Virginia Lane, faleceu aos 93 anos, em Volta Redonda, RJ, no dia 10 de fevereiro, por falência múltipla dos órgãos, sendo que seu corpo foi velado no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, seguindo depois para Piraí, onde morava desde 1970, recebendo homenagens na Câmara Municipal, seguindo então, para o Cemitério do Caju, na capital do estado, onde foi sepultada. 
(Dados biográficos – Manekolopp – ano de 2011)
 
Profº. José Antonio Merenda
Historiador, ator e  presidente da ABC – Academia Barretense de Cultura Ocupando a Cadeira nº. 29

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