Artigos
VERDADE NAS ENTRELINHAS
Estudos da psicologia atestam que a compreensão de fenômenos relativos á existência humana é favorecida pela análise de como as ‘coisas’ são distribuídas nos espaços. As forças do ambiente levam o indivíduo a reagir de forma diferente ao mesmo estímulo; as influências dessas forças dependem das necessidades, atitudes, sentimentos e expectativas do indivíduo. Kurt Lewim define como ‘campo psicológico’ o espaço que contém a pessoa e seu ambiente psicológico, ou seja, o modo como ela vê e entende seu ambiente externo e a relação que percebe entre este ambiente e suas necessidades. Para as teorias projetivas o indíviduo projeta sua personalidade na forma como distribui e orgnaiza os elementos.
Recém chegado, o líder contagiou a todos, inclusive, pela revolucionária mudança na organização das salas e espaços. De pronto seus auxiliares diretos mobilizaram todas as forças para levar a cabo á missão daquela conceituada organização. Fervor, entusiasmo e encantamento davam o tom ao trabalho, embasados em referências e argumentos que apresentavam real necessidade de mudanças. Tempos depois houve um grande esfriamento. O perceptível impacto negativo exigiu ajuda especializada. Dentre outras observações foi diagnosticado: a liderança não se mantivera fiel aos seus propósitos iniciais e, os efeitos dessa contradição impactaram, negativamente, em todos.
A teoria do ‘campo psicológico’ e a ‘teoria projetiva’ auxiliaram na análise da forma como o ambiente de trabalho estava organizado. No centro de tudo o lugar do líder, na verdade, um chefe centralizador; ao lado, a sala do financeiro sinalizava o poder econômico como prioridade; depois, espaços dedicados a questões burocráticas e jurídicas, evidenciando conduta legalista, incapacidade de dialogar e necessidade de imposição. A última sala, pequena e apertada, era dedicada ao que, num primeiro momento, parecia ser a opção fundamental do pretenso líder. O que deveria ser o centro das atenções, por zelar pelos interesses fundamentais da organização, estava em último plano.
Passado o choque e a crise, um projeto de intervenção propôs a revisão de valores, tanto pessoal (do líder), quanto da instituição, favorecendo maior aproximação entre ideal e realidade, e possibilitando a elaboração projetos condizentes com os propósitos da organização. A maneira como distribuímos e dispomos nossos pensamentos, sentimentos, atitudes e ambientes revelam muito sobre nós. A quem se propõe percorrer um caminho de constante desenvolvimento vale considerar estes elementos, esforçando-se, por ultrapassar as aparências, buscando alcançar a verdade nas entrelinhas.
Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em
Psicologia
ivanpsicol@hotmail.com