quarta-feira, 12 de agosto de 2020

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Vamos repartir o pão?

Adentramos mais alguns dias de quarentena e isolamento social devido a disseminação do Covid-19 e, com isso, muitos sentimentos vão tomando conta das nossas vidas. A imprevisibilidade do que vem pela frente, a angústia da espera, a solidão ou o desespero parecem crescer diante de toda essa situação que estamos vivendo.
Realmente não é uma tarefa fácil lidar com as novidades que essa pandemia tem nos apresentado quase diariamente. Fica difícil até escrever algo ou falar sobre esse assunto frente a enxurrada de informações que temos acesso, e aqui vale o alerta para prestarmos muita atenção às fontes e ao teor daquilo que desejamos compartilhar, para não espalharmos notícias falsas, as tão chamas “fake news”.
As restrições de circulação de pessoas têm nos oferecido a oportunidade de estarmos com a família e de valorizarmos mais os momentos de oração. Mas temos sido despertados para as necessidades daqueles que precisam de ajuda para coisas básicas como a alimentação. Para quem tem suas refeições diárias normalmente cabe agradecimento a Deus por isso. Que grande graça ter sobre a mesa o alimento para saciar a fome! Infelizmente há aqueles irmãos e irmãs que não estão tendo as mesmas condições. Existem muitos que discutem as causas, outros os responsáveis e outros ainda os fatores que levam a essa situação de fome. Isto é importante, mas será que também não é o caso de partilharmos um pouco do que temos?
Aproveitando este tempo, será que não podemos fazer da partilha um gesto de esperança e de caridade? Tomando os devidos cuidados e recomendações de saúde podemos colaborar, pois existem diversas instituições sérias e grupos bem organizados que se dedicam ao trabalho de arrecadar, preparar e distribuir alimentos para quem precisa. Às vezes, nem é preciso ir longe, existem vizinhos precisando de ajuda.
Muitas pessoas pensam: “Ah vou ajudar para quê?”, “cada um que se vire”, “não tenho nem para mim” entre outros pensamentos. Mas será que eu já me coloquei algum momento no lugar de alguém que precisa? Será que a fé está realmente transformando minhas ações? Bem nos lembra a Bíblia: “Pois eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber” (Mateus 25, 35). O momento é difícil e é para todos, então mantenhamos os cuidados e a distância recomendados, mas deixemos o coração sempre aberto para as vontades de Deus e as necessidades dos nossos irmãos e irmãs.
Quando o Papa Francisco esteve no Brasil em 2013, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, ao discursar na comunidade de Varginha no Rio de Janeiro, ele falou sobre esse assunto: “Sei bem que quando alguém que precisa comer bate na sua porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida: como diz o ditado, sempre se pode ‘colocar mais água no feijão’! Se pode colocar mais água no feijão?… Sempre?… E vocês fazem isto com amor, mostrando que a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração! E o povo brasileiro, sobretudo as pessoas mais simples, pode dar para o mundo uma grande lição de solidariedade, que é uma palavra – esta palavra solidariedade – é uma palavra frequentemente esquecida ou silenciada, porque é incômoda. Quase parece um palavrão… solidariedade!”

Matheus Flavio da Silva
Seminarista

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