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quinta-feira, 25 de julho de 2024

Artigos

VAMOS FALAR SOBRE O TOD?

O que você sabe sobre o TOD? Chineladas resolvem? Toda birra é sinônimo de TOD?

Para quem hoje passa por essa situação vamos definir um pouco o que é o Transtorno Opositivo Desafiador.

Será que toda criança com raiva, que discute com figuras de autoridade, que desafia as regras, provoca conflitos, nunca assume as próprias culpas, se ofende com facilidade, dona de respostas bruscas e nervosas, está entre o crescente número de pacientes diagnosticados com o Transtorno Opositivo Desafiador?

Como tudo na vida, essa questão também é relativa. Antes se faz necessário saber se as situações descritas ocorrem cotidianamente, sem nada a provocá-las ou se a pessoa está passando por um dia ruim e por algum motivo ocorre algum desses fatos. O que pretendo dizer, é que, não é possível olhar a birra de uma criança, ou o questionamento de um adolescente e já ir fechando o diagnóstico. Antes de tudo é necessário investigar.

E o que é o desafio às regras? Isso precisa ser avaliado em seu contexto. Como está sendo esse desafio? E o que é ser comportado? É não questionar? Famílias onde não se pode argumentar, pais ou responsáveis extremamente autoritários, onde a criança não consegue se expressar, podem torná-la tímida, sem estrutura egóica e terminar favorecendo ao surgimento do Transtorno Opositivo Desafiador?

E aí lanço mais a questão: qual adolescente não desafia as autoridades ou tenta fugir das regras?  O desafio já é algo esperado e estudado afinal, toda ancestralidade se queixa e traduz o adolescente como revoltado. Quem nunca disse ou ouviu: “no meu tempo não era assim”?

Para ocorrer o comportamento opositor sempre haverá alguém envolvido, afinal, ninguém briga sozinho. Assim, um pai, professor, uma outra representação de autoridade, podem ocupar esse lugar porque, se há um para gritar, existe um outro para devolver o grito. E o que pode significar esse grito vindo da criança, do adolescente? O grito, pode ser um grito de socorro, um pedido de ajuda.

Ser comportado o tempo todo é a única forma de ser normal? Mas o que era a birra de antigamente? A birra sempre foi algo usado para dizer o não ao outro, e que, muitas crianças usam para tentar entender o que o outro quer com a regra por ele colocada. Tomar banho agora? No melhor da brincadeira? Não ficar tanto no celular se todos os amigos estão? Não fazer aquilo, ou fazer aquilo…

Quando a birra ocorre, a criança está investigando o que o outro deseja, no caso esse outro pode ser o pai, mãe, cuidador, o responsável por ela.  Assim, a birra a torna desafiadora posto que, a faz tentar descobrir o que querem que ela faça, só que, para atender ao desejo do outro, a criança também precisa conhecer o próprio desejo, delimitar a sua própria autonomia.  E para descobrir isso, a criança também sofre e precisa ser ouvida, para que o adulto possa entender como alcançá-la, sem tirania, sem imposições, mantendo as regras com diálogos.

Um último sinal que aqui mencionarei, é a depressão que pode se manifestar como irritabilidade, agressividade e comportamento de oponência. É sempre necessário ao responsável, tentar entender o que está por trás desse comportamento.

Insisto que é necessário a autoridade dos pais para o ensinamento, para conversar com a criança, para dar limites e também dar opções de escolha, mas não para bater de frente. Negociar, justificar, explicar com sabedoria e assim essa criança/adolescente conseguirá ser desarmada. Colocar limites não é ser autoritário, é dialogar, é por paredes onde a criança possa se apoiar na construção dessa autonomia tão necessária em sua vida adulta. Reprimir pode criar maiores desafios, como o uso de drogas, evasão escolar. Ouça seu filho/filha. Acima de qualquer enquadramento de transtorno, a convivência social, familiar, pode transformar. Medicação é apenas indicação do psiquiatra, mas sessões de terapia podem resolver enquanto que, a negligência e o autoritarismo só instigam a situação.  Diálogo, pesar argumentos, ensinar a não debater por coisas banais, podem ajudar. Não gritar, não bater, também são importantes, outrossim, nos tornamos como a criança, espelho de atitudes e reflexos.

Com o TOD não se deve usar punições, castigos ou ameaças. Depois que a criança tiver passado por uma crise, se acalmado, dar um brinquedo, um prêmio, tais como brincar de esconder, desenhar, ou outro jogo que a criança goste, ajuda a reforçar as boas atitudes. Sempre dialogando e intervindo com autoridade e sobretudo, amor. Pense nisso!

Sada A. Ali Psicóloga Clínica CRP 06/166892

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