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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Uma pobre criança numa manjedoura é que vem nos salvar

 

Natal é o mistério impressionante de um Deus que se faz humano no mistério de Jesus, o Salvador.

Para falar do nascimento de Jesus, Lucas leva-nos a Belém, cidade das promessas de Israel. Como membro de um Estado profano deste mundo, o Menino nasce sob o domínio de César Augusto. Como descendente de Davi e expressão de esperança e das promessas do Antigo Testamento, vem ao mundo em Belém. O recenseamento ordenado pelo Império contribui para a realização das antigas esperanças. Entretanto, o Menino nasce abandonado e só, afastado dos grandes caminhos da terra, num presépio.

A verdade mais profunda do nascimento de Jesus não pode ser revelada a partir de nenhuma palavra da terra. Por isso, o anjo da força e da presença de Deus no meio dos homens, quebra o grande silêncio dos céus e proclama, na sua mensagem, o autêntico Evangelho: “Nasceu-vos um Salvador” (Lc 2,11).

Os pastores, que guardavam seus rebanhos nos arredores de Belém, são os que acolhem este anúncio. Os pastores eram os mais perdidos da terra, viviam afastados e não tinham lugar nas cidades, não se ocupam das coisas que prescrevia a Lei de Moisés, e por isso são considerados impuros. A eles, e a todos os humildes da terra, é dirigida esta verdade salvadora de uma mensagem cujo sinal desfez os esquemas de grandeza dos homens: “Encontrá-lo-eis envolto em panos e deitado numa manjedoura” (Lc 2,12).

As palavras da mensagem celestial são as mesmas que ressoavam quando se anunciava o nascimento dos imperadores romanos. Trata-se aqui de anunciar mais do que o nascimento de um imperador, mas a manifestação de Deus no meio dos homens.

A nós, hoje são dirigidas estas palavras: “Nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é Cristo Senhor”. Como os pastores devemos acorrer ao encontro dele que se faz pão para alimentar-nos, fazendo jus ao significado da palavra Belém: “Casa do Pão”!

Na manjedoura Ele nos revela o lugar onde podemos encontrá-lo: na simplicidade dos recursos, na pobreza do lugar e na fragilidade dos que o cercam. Deus se revela como amigo dos pequenos e pobres, dos humildes e inocentes, dos que se desvestem do orgulho e da prepotência, para colocar-se sempre a serviço dos que não podem lhes retribuir.

A todos e todas os meus sinceros votos de um abençoado Natal!

Por: Dom Milton Kenan Jr

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