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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Uma nova era no tratamento das doenças das válvulas do coração

 

 

Durante muitos anos, o diagnóstico de uma doença importante em uma válvula do coração significava, em muitos casos, enfrentar uma cirurgia cardíaca de grande porte. Hoje, a medicina cardiovascular vive uma transformação importante: procedimentos minimamente invasivos permitem tratar algumas dessas doenças com muito menos agressão ao organismo e recuperação mais rápida.

 

As válvulas cardíacas têm uma função fundamental: controlar o fluxo de sangue dentro do coração. Quando uma delas apresenta estreitamento ou não consegue fechar adequadamente, o coração precisa trabalhar mais para manter a circulação do sangue. Com o passar do tempo, isso pode provocar falta de ar, cansaço, dor no peito, desmaios, insuficiência cardíaca e morte.

 

Um dos maiores avanços dessa nova era é o TAVI (Implante Transcateter de Válvula Aórtica), utilizado principalmente no tratamento da estenose da válvula aórtica. Em vez de abrir o tórax para substituir a válvula, uma nova prótese é implantada por meio de um cateter, geralmente através de uma artéria da região da virilha.

 

Isso representa uma mudança importante na vida de muitos pacientes. Em casos selecionados, é possível realizar o procedimento sem a necessidade de uma cirurgia cardíaca convencional, com menor tempo de internação e retorno mais rápido às atividades.

 

É importante destacar, porém, que nem todo paciente é candidato a um procedimento minimamente invasivo. A escolha entre cirurgia e tratamento por cateter depende de uma avaliação individualizada, que considera idade, condições clínicas, anatomia do coração, características da doença e riscos e benefícios de cada estratégia. Por isso converse sempre com seu cardiologista para avaliar o melhor tratamento para seu caso.

 

Outro ponto fundamental é o diagnóstico precoce. Muitas doenças das válvulas podem evoluir durante anos de forma silenciosa. Por isso, sintomas como falta de ar aos esforços, cansaço desproporcional, tonturas, desmaios, dor no peito ou redução da capacidade para realizar atividades que antes eram fáceis merecem investigação médica.

 

Estamos entrando em uma nova era da cardiologia: uma era em que tecnologia, experiência médica e avaliação individualizada permitem oferecer tratamentos cada vez mais seguros e menos invasivos.

 

Para o paciente, isso significa algo muito maior do que uma nova técnica: significa a possibilidade de tratar uma doença grave com menos agressão ao organismo e, muitas vezes, recuperar mais rapidamente a qualidade de vida.

 

O coração continua sendo o mesmo. O que mudou foi a maneira de cuidar dele.

 

Dr Uebe Chade Rezek

Cardiologista clínica, intervencionista e Hemodinamicista

Diretor do centro de hemodinâmica no hospital São Jorge

CRM 184.719

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