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segunda-feira, 04 de março de 2024

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Uma entrega livre e salvadora

A narrativa da Paixão, que se faz neste Domingo de Ramos, é do evangelho de Mateus a partir de 26,14, iniciando com a traição de Judas Iscariotes, e concluindo em 27,66 com o sepultamento de Jesus.
“O que me dareis se eu o entregar?” pergunta Judas às autoridades, e então ele procura uma oportunidade para, na calada da noite, praticar a traição, que se dá no horto das oliveiras, onde Jesus se encontrava em oração, depois da instituição da Eucaristia. Era a passagem da quinta para a sexta-feira quando Jesus foi preso, algemado e conduzido à prisão.
Temos aqui várias entregas, como a de Judas entregando o Mestre às mãos dos pecadores (26,45). Os chefes dos sacerdotes e os anciãos entregam Jesus ao governador Pôncio Pilatos, que depois de um julgamento injusto o entrega para ser crucificado. Ao final de sua Paixão, com um grande grito, Jesus entrega o Espírito. Por fim, atendendo o pedido de José de Arimateia, Pilatos lhe entrega o corpo de Jesus para sepultamento.
Mas qual é a entrega mais importante? – É a que Jesus faz de si mesmo. No evangelho de João, essa entrega é mais destacada: é ele mesmo que se entrega. “Minha vida ninguém a tira de mim, mas eu a dou livremente” (Jo 10,18).
O próprio Jesus se entrega nas mãos dos irmãos, e por sua morte lhes transmite a vida. No evangelho de João é na cruz que Cristo é glorificado, ao contrário de todos que o julgam um fracassado. Sua glória é demonstrar cabalmente, sem qualquer sombra de dúvida, que o seu sacrifício supremo, de ser cravado numa cruz como um cordeiro imaculado e imolado, assumindo em suas dores de um corpo todo ferido cruelmente, coroado impiedosamente com espinhos a lhe penetrarem no crânio, que Ele se oferece ao Pai, se entregando e intercedendo por toda a humanidade, ao ponto das multidões de anjos ficarem pasmos e estarrecidos por tão infinita prova de amor às criaturas humanas.
Apenas umas poucas e fiéis pessoas permanecem aos pés da cruz neste momento, enquanto a maioria se afasta, da mesma forma que bilhões de pessoas agem assim nos nossos dias e em todos os tempos, afastando-se do Salvador.

 

(Por: Diácono Lombardi)

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