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quarta-feira, 19 de junho de 2024

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Uma das minhas metas para 2023

Pretendo nesse novo ano, com a permissão do Pai Eterno, fazer amiúde, melhor uso do silêncio. Afinal, ele está a todo momento, à disposição de quem pretenda dialogar e o mais importante, ouvi-lo.
Alguém já disse e é verdade que o silêncio é o melhor conselheiro. Esse mister ele divide com a consciência do ser humano, até porque qualquer agitação ou barulho, impede que se ouça a consciência e, por extensão, também o próprio silêncio. Quando alguém aconselha para se contar até dez, antes de responder a uma indelicadeza ou provocação, indiretamente está sugerindo para que antes de qualquer iniciativa de defesa, se ouça a prudência que só pode ser oferecida pelo silêncio.
Depois que alguém está suficientemente habituado a contatar o silêncio, não é difícil ou impossível fazer isso, até mesmo em ambiente no qual estejam outras pessoas. O interessante é que podemos encontrar no silêncio, resposta para muitas indagações, dúvidas e consultas. Quando tal não acontece, ele nos aponta o caminho e direção para o esclarecimento pretendido.
O silêncio é muito mais importante do que a palavra, porque não admite réplica. Embora advogando há quase cinquenta anos, no Direito Criminal, na prática, não concordo com o brocardo jurídico: “quem cala, consente”. Isto, porque na verdade, deixar de retorquir a uma provocação não quer, em absoluto, inferir que alguém admite ou concorde com o outro indivíduo; pelo contrário, essa indiferença é uma demonstração de que o ofensor não merece nenhuma atenção, ou não vale a pena, perder tempo com ele.
Não se pode também perder de vistas, que a pessoa que conversa ainda que silenciosamente consigo mesma, jamais está sozinha. Sem desmerecer a importância de qualquer semelhante, podemos afirmar com segurança, que para nós, não existe outra melhor companhia, do que a nossa mesma.
Sem dúvida, como tudo nesta vida, deve ser comedido e moderado, a predileção para fazer uso do silêncio, não deve prejudicar ou substituir a convivência social, uma vez que essa inteiração é necessária para o controle emocional de qualquer sujeito. Por essa razão, nesse novo ano, não desejo fazer mudança profunda, no meu estilo de vida; isto, porque tenho convicção de que é possível me dedicar com mais frequência ao uso do silêncio, sem prejuízo das outras atividades rotineiras.
Por exemplo, no final de cada dia, antes de ajustar a cabeça ao travesseiro, para aguardar o esperado sono reparador, em silêncio, agradeço ao Criador: “Obrigado, Senhor, pela graça de viver este dia; se eu acordar, amanhã, quero que o Senhor esteja comigo, se eu não acordar, me permita, estar contigo”. E na manhã seguinte, abro a porta que acessa a varanda do meu quarto, para aspirar o ar puro da mata atlântica no meu sítio e, novamente, em silêncio, agradeço ao Pai Eterno pela oportunidade de viver este novo dia.
O silêncio, realmente é forma direta e eficaz para qualquer pessoa se comunicar, a qualquer hora do dia ou da noite, com Deus. Desse modo, essa prática pode ser exercida a qualquer momento e, o mais importante, não custa absolutamente nada.
Quem aprende a fazer uso do silêncio, jamais estará sozinho. Exatamente por isso, pretendo fazê-lo frequentemente, como uma das minhas metas neste novo ano.

 

 

 

Roque Dias Prestes é advogado,
escritor, jornalista, professor
aposentado e presidente da
Academia Votorantinense de
Letras, Artes e História

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