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Um filme documentário sobre raios
O Brasil é o país campeão em incidência de raios, caem cerca de 50 milhões de raios. E 500 pessoas são atingidas, sendo que 130 morrem. Todo ano esse fenômeno natural muda vidas. E muitas poderiam ser evitadas com informação adequada que as autoridades não dão.
Os raios não causam tragédias apenas no Brasil. Há pouco, um raio provocou uma explosão e incêndio em uma refinaria na Venezuela, perto da cidade de Puerto de La Cruz. As autoridades dali até ordenaram a evacuação em num raio de um quilômetro da refinaria. Na França também aumentou a preocupação das autoridades, já que se registrou um recorde de tempestades durante o mês de julho, foi um total de 527 mil raios atingiram a França, cinco vezes mais do que no ano passado. E em junho, houve tempestades na França durante 27 dias.
No Brasil há um grupo que estuda os raios, colegas do INPE. Já tive oportunidade de escrever em artigos as descobertas desses cientistas. Obviamente esse assunto desperta o interesse de diversos cientistas pelo mundo. Quem não se lembra da experiência de Benjamin Franklin e a invenção do para-raios?
A NASA desenvolveu um instrumento para estudar raios, chamado de Firestation e que será instalado na parte externa da estação espacial e fará observações por um ano. O objetivo das observações é entender melhor a relação entre os raios e feixes de raios gama que eles geram e que são observados do espaço. Enquanto que na Terra ocorrem em média 50 raios por segundo, cerca de 500 feixes de raios gama são observados por dia.
As tragédias pessoais das vitimas dos raios juntou o maior especialista em raios do Brasil, Osmar Pinto Jr., e a jornalista Iara Cardoso, que juntaram história, ciência e literatura do Brasil para compor um filme documentário “Fragmentos de Paixão”. O filme conta a história de seis vidas, seis histórias distintas, que mostram como uma fração de segundo define destinos de forma completamente diferente, permeando o medo e a paixão, a tragédia e o sucesso, a guerra e a paz. Apresentando fatos inusitado, a visão da ciência e da cultura sobre os raios, abrangendo desde o descobrimento do Brasil até o futuro do planeta. O filme pretende massificar o conhecimento do assunto.
Para compor o filme, foram analisadas mais de duzentas histórias, durante três anos, em livros, documentos históricos, pesquisas científicas, fotos e descendentes de personalidades. A equipe levou dois meses para executar todas as tomadas, acumulando quase cem horas de filmagens.
As histórias são amarradas no filme que mescla técnicas de documentário e de ficção e é de interesse tanto da comunidade científica quanto de leigos que desejam aliar entretenimento a conhecimento. Fragmentos de Paixão se diferencia de outros documentários pela narrativa romanceada, presente no cinema de ficção, e pela construção dos personagens. Ao contrário de outros trabalhos, este filme documentário não apresenta somente entrevistas, típicas do telejornalismo.
Pesquisador e diretora andaram de caravelas no sul da Bahia e de helicóptero no Rio de Janeiro, visitaram uma aldeia indígena em Ubatuba e leram relatos históricos de Darwin em sua visita ao país, tudo para entender o impacto das descargas atmosféricas em histórias tão diferentes.
Fragmento de Paixão é realizado pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e faz parte de um projeto de divulgação sobre os riscos que os raios trazem à população, que inclui uma cartilha educativa e exposições em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.