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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Artigos

UM DESAFIO DA EDUCAÇÃO EM NOSSO TEMPO

Estudos recentes tem apontado uma tendência mundial de falta de concentração nos estudos, isso de modo geral, tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento. O fato é que os adolescentes e jovens não conseguem se concentrar para estudar, a não ser aqueles mais dedicados e interessados, geralmente os que decidem estudar em casa e se tornam os clássicos auto-didatas, porque o ambiente escolar não tem favorecido isso. É interessante observar que muito do melhor conhecimento da humanidade, tanto na Antiguidade quanto na própria Idade Média, tempo inclusive do surgimento das Universidades, estudava-se em ambientes de recolhimento, nos mosteiros, pois o estudo exige reflexão e meditação. No corre-corre de hoje, o máximo que os alunos conseguem fazer, com o programa altamente tecnicista atual, é decorar mesmo algumas informações básicas, pensando apenas no vestibular ou em algum concurso que queira fazer. E para por aí. Os que desejam realmente fazer uma pesquisa mais séria, pode levar anos de estudo, porque não dá para produzir conhecimento apenas com leituras rápidas e superficiais, mesmo na Internet.
Isso tem gerado um enorme desafio para os pedagogos modernos, que encontram dificuldades em conciliar a concentração com o ritmo frenético do mundo pós-moderno, bastante informatizado. O avanço das tecnologias, especialmente as de comunicação, deveriam propiciar uma elevação na produção de conhecimento e pesquisa, mas não o que acontece. Pesquisas baseadas na experimentação, como, por exemplo, na fabricação de remédios, ainda avançam, porque estão voltadas a questões práticas. Pesquisas também para produção de máquinas e artefatos tecnológicos se evidenciam no plano nacional e mundial, mas aquelas pesquisas do conhecimento humano que requerem um pensamento mais abstrato e apurado, as dificuldades começam a surgir, pois o processo exige mais. Isso quer dizer que não teríamos hoje condições de produzir filósofos como tivemos na Antiguidade, e enganam-se os que acham que isso não tem nenhuma importância, porque toda a civilização humana, inclusive a ciência, dependeu e dependerá sempre de suas fundamentações filosóficas.  
Daí que os pedagogos modernos não sabem como lidar com essa questão por deficiências na pesquisa e o resultado concreto disso está visível em toda a parte: falta de concentração, indisciplina em sala de aula, desatenção, analfabetismo funcional, empobrecimento cultural. Este é um desafio para o nosso tempo, se quisermos realmente elevar os níveis de educação. 
 
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária pelo IGLU (Instituto de Gestão e Liderança Interamericano) da OUI (Organização Universitária Interamericana) com sede em Montreal, Canadá.

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