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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Artigos

UM ANO DEPOIS

Faz um ano que o mundo foi surpreendido pela renúncia do papa Bento XVI. Em 11 de fevereiro do ano passado, numa segunda-feira de carnaval, ele leu sua carta de renúncia, comunicando que ficaria no cargo de líder máximo da Igreja Católica até o dia 28 de fevereiro daquele ano. Explicou, em sua carta de renúncia, lida em latim: “… No mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma” Feito isso, recolheu-se primeiramente em Castel Gandolfo, e, em seguida, no mosteiro Matter Ecclesia, dentro do Vaticano, onde está até hoje, em oração. 
Houve, após esse ato inédito, a eleição do papa Francisco, que agradou a muitos, inclusive não católicos, que vem demonstrando grande vigor físico e maior disposição em dialogar com o mundo, com uma postura muito mais pastoral. Mudou a reação do mundo em relação à Igreja, mesmo com os escândalos de pedofilia, que tanto Bento XVI e o papa Francisco tomaram medidas no sentido de coibir esta abominável prática, considerada hoje uma chaga na Igreja. A ONU cobra ações mais duras do Vaticano. De qualquer forma, o papa Francisco – eleito personalidade do Ano, pela revista Time-, vem conseguindo angariar a simpatia de muitos e deve promover mudanças profundas na estrutura da Igreja. Nomeou um conselho de cardeais, sob a coordenação do hondurenho Oscar Rodriguez Maradiaga, que está estudando o que exatamente deverá mudar na Igreja. Tudo isso propiciado pelo gesto de Bento XVI, que sentindo-se debilitado para a função, abriu caminho para o conclave que elegeu Francisco, e para as mudanças estudadas. 
Tudo isso mostra que a Igreja é dinâmica, que se atualiza sempre, que está sempre mudando, para alcançar o maior número de pessoas e assim evangelizar. Rezemos por Bento XVI, que mantém o título de Sua Santidade, e que acompanha os rumos da Igreja de hoje, em oração permanente.
 
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária pelo IGLU (Instituto de Gestão e Liderança Interamericano) da OUI (Organização Universitária Interamericana) com sede em Montreal, Canadá.

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