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Trem da Vida
No trem da vida há três paradas a serem percorridas e todos já percorreram duas delas, o ontem e hoje, restando apenas uma a percorrer, o amanhã. Neste trem não há como desembarcar sem antes viver; não há possibilidade de voltar à primeira estação, pois ele segue sempre adiante, e não faz retorno.
Em cada estação um novo aprendizado. Em cada uma delas, uma subestação: a primeira dela é a infância; nessa subestação há o ensinamento de que quedas acontecerão, mas é necessário se levantar para seguir à próxima subestação, aqui, várias cicatrizes e feridas abertas mostram como foi a estadia nessa primeira parada.
Depois que se firmou as pernas para dar passos maiores – e até correr –, é hora de continuar nos trilhos do trem da vida, o qual para na segunda estação, chamada de adolescência. Nessa estação o corpo muda, aparecem pessoas que marcam nossas vidas, nos chagam e que também as machucamos, e, necessariamente, decepcionamos ou somos decepcionados, mas o trem não para, quem as viveu intensamente saberá o que carrega dentro de si, quem não as viveu também, mas em todas essas marcas, um aprendizado, um sorriso, e uma lágrima acompanha a todos em forma de lembranças.
Na terceira estação, já adultos, sentimentos e relações fazem parte da vida de todos, e, consequentemente, escolhas moldam cada tripulante, os quais nenhum é igual ao outro, mas nem por isso, alheios aos fatos, acontecimentos, emoções e relacionamentos. O apito do trem mostra que, talvez, metade da vida já foi vivida, ou melhor, metade do caminho já foi trilhado e nota-se que aquelas pessoas as quais entraram contigo na primeira estação já não estão mais no mesmo trem: umas tiveram que mudar sua rota, outras não conseguiram ir adiante, outras ainda não sabiam para onde ir e às últimas, a saudade que fica.
Recomeça-se o andar do trem, às vezes solitário, saudoso, com lembranças e sentimentos, mas é preciso caminhar, pois a vida não espera. Talvez aqui você convidou alguém para dividir com você a caminhada no trem da vida, para que juntos construíssem uma família, mas sempre faltará alguém junto de ti. Você se questionará porque esse trem teve que seguir esse trilho, porque não houve mais tempo nas paradas entre as estações e porque caminha sozinho, se tinha sonhos e metas. Aqui também você fará projeções do que não aconteceu, do que não viveu e vai ansiar por querer voltar, mas nesse trem, só se caminha para frente e jamais para trás.
O amanhã está tão próximo que a cada passo já temos o vislumbre dele, e, mesmo não querendo chegar lá, a viagem até aqui foi cansativa demais, mas cheia de emoções e por isso, vamos tocando em frente.
Na última parada, você passa a reparar na paisagem e vê que, mesmo sendo longa, a viagem durou apenas um segundo, e que se tivesse oportunidade reviveria tudo de novo, mas olha para frente e vê que o tempo não para. Quisera termos uma chance…
Padre Flávio Aparecido Pereira
Vigário Paroquial na Catedral
do Divino Espírito Santo