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segunda-feira, 04 de março de 2024

Artigos

TRANSTORNO DE PÂNICO

Muitos de vocês podem já estar cientes das limitações que o Transtorno de Pânico (TP) suscita em algumas pessoas. Para aqueles que querem conhecer um pouco além, trago neste pequeno artigo algumas informações das causas, efeitos e como a psicóloga pode intervir para melhorar os sintomas nos pacientes.
Introduzo inicialmente a informação de que este transtorno é mais comumente encontrado em mulheres. De maneira breve, o Transtorno de Pânico pode ser ocasionado por um gatilho emocional, uma crise, um episódio único. Desse fato gerado, o paciente pode ser tratado e TP permanecer ignorado, escondido por um tempo.
Entretanto, uma intercorrência ocorrida a qualquer momento, pode provocar a recidiva no paciente que vê-se novamente envolvido por uma ansiedade acentuada, sufocado pelo medo e desespero. Paralelamente aos aspectos emocionais, fatores físicos podem acompanhar a crise vindo a manifestar-se através da de falta de ar, palpitação, sudorese, sensação de morte, alteração dos batimentos cardíacos, dores abdominais, náuseas, tonturas, ondas de frio e ou calor.
Sim, o pânico é tão intenso que, causa no sujeito uma sensação de que está morrendo.
Como a crise pode ocorrer? Pode ocorrer inesperadamente, através de situações reais ou fantasias produzidas pela mente e aqui, já temos dito o quanto esta nossa mente é produtora de situações, os tais novelos que vão se enrolando em voltas e mais voltas, muitas delas tão complexas que, os medicamentos se fazem necessários como apoio no tratamento terapêutico.
Podemos relatar como exemplo, um fato cotidiano como estar na fila do caixa do supermercado, procurar o cartão para efetuar o pagamento e não encontrá-lo. Para alguns, isso é resolvido com uma ligação solicitando o bloqueio do cartão precedido das demais tratativas. Para outros, a questão pode se tornar um gatilho suscitando questões como ter sido roubado, a casa invadida, a bolsa remexida, a exposição da intimidade ocorrida, entre outras, ocasionando da perda do cartão, uma nova crise de pânico.
Mas, este é apenas um exemplo entre muitos que você pode ter pensado. Outros fatores que contribuem para o surgimento das crises estão relacionados ao uso de álcool, drogas, uso abusivo de medicamentos e os fatores biopsicossociais dos pacientes. Clareando o biopsicossocial, quero apenas ressaltar que se trata da nossa própria história de vida, ou seja, o contexto em que estamos inseridos, onde um ambiente protetor, sem exageros nos capacita internamente para viver os problemas do dia-a-dia, enquanto que, um ambiente excludente, pode vir a desencadear futuros sintomas de algumas patologias.
Para a psicanálise, a ansiedade é uma reação a uma situação de perigo. O ego, quando bem estruturado, ou seja, tendo vivido como disse acima, uma vida de proteção sem exageros, pode tentar evitar ou reelaborar momentos difíceis, construindo no sujeito um lugar de amparo e segurança onde o Transtorno de Pânico ou outros, sejam mais difíceis de penetrar e a ansiedade tenha a propriedade de proteção contra o perigo e não um reforçador do mesmo.
Por outro lado, a intervenção terapêutica auxilia a elaborar no paciente com o Transtorno de Pânico, um lugar seguro, promovendo para que ele consiga reivindicar os próprios desejos, descobrir o que o conforta e encontrar situações de amparo em seu próprio interior.
Mais do que falar na cura, a Psicanálise busca intervir para que o paciente perceba através do olhar introspectivo, novas possibilidades, transformações ainda não vislumbradas, promovendo um movimento interno que o demova do lugar fixado. Pense nisso!

Sada A. Ali
Psicóloga Clínica
CRP 06/166892

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