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segunda-feira, 17 de junho de 2024

Artigos

Transplante cardíaco, por que demora tanto para uns e é tão rápido para outros?

Muito citado recentemente, Fausto Silva, o Faustão, passou por uma cirurgia de transplante cardíaco neste final de semana depois de desenvolver um quadro de insuficiência cardíaca grave, falência dos rins com necessidade de hemodiálise e uso de remédios endovenosos para auxiliar o funcionamento do coração.
Em meio a uma fila de mais de 300 pessoas aguardando ao órgão, após ser inserido como candidato ao transplante conseguiu doador de forma prioritária, e isso não diz respeito a dinheiro ou sua fortuna, e sim a critérios de seleção e prioridades muito bem estabelecidos, pois como sabemos órgãos não são e não podem ser comercializados e são feitos única e exclusivamente via SUS, sendo assim criados critérios de gravidade, onde uma pessoa que está na fila de transplante de órgão internado tem prioridade a quem não está internado, quem está recebendo remédios na veia tem prioridade sobre quem não está, quem está evoluindo de forma grave como perda do funcionamento dos rins e necessidade de hemodiálise tem urgência maior de receber o órgão comparativamente com quem não está com essa complicação e assim sucessivamente. Além destes fatores, o órgão doado precisa passar por avaliação criteriosa de compatibilidade com quem vai receber, nada adianta uma pessoa em estado grave, priorizado na fila de transplante e ter disponível um órgão que não apresente compatibilidade, isso impossibilita a cirurgia e é feita nova seleção para avaliar se o próximo candidato é compatível.
Sendo assim, foi visto durante a evolução do apresentador uma piora importante de sua saúde e com risco de morte, não podendo estar na fila de transplante atrás de quem não apresenta o mesmo risco de morte, mesmo que ele tenha sido incluído na lista de transplante temporalmente depois.
Logo, a posição na fila de transplante não diz respeito a quanto dinheiro a pessoa possa ter e não é uma regra a posição na fila, a velocidade que irá receber um órgão depende do risco de morte e da compatibilidade de um doador.
Vale lembrar nesse momento a importância da doação de órgãos, que são situações em que é possível realizar a doação, podem ser salvas muitas vidas. Órgãos como rins, coração, fígado, pâncreas e pulmão estão na lista. Se for o desejo, deixe claro para familiares e amigos o desejo de doar e poder salvar vidas.

 

 

Dr Uebe Chade Rezek
Cardiologista clínico e
intervencionista RQE 114.496 / 1144961

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