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sábado, 27 de fevereiro de 2021

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Transparência da vacinação: “embaçada” se não for divulgada e fiscalizada

São mais de 4.000 vacinados (informação extraoficial) e a tão discursada transparência dos atos de governo começam a ficar em falta. É lógico que a prestação de contas de cada vacina aplicada tem que ser apresentada à população.
Quando explode pelo Brasil afora casos já descobertos de “fura-filas” mais do que nunca nossa cidade merece saber onde anda a aplicação desse bem público (a vacina), cujo desvio de finalidade pode fazer incorrer em quase uma dezena de crimes, muitos dos quais, de natureza penal.
Se a contratação de transportes, volta às aulas, abertura do comércio são temas de importância reconhecida merecem o espaço de tratativas dado pela Sra. Prefeita, não são mais significativos do que a campanha de vacinação que está direta e intimamente ligada: ela é o caminho das soluções gerais e cabais.
O que nos traz a essa observação é que, a nos valer da primeira etapa de vacinação, implicando fatia pequena de cidadãos (médicos, agentes de saúde e idosos “confinados”) assistimos denúncias de cidadãos fora desse escopo já terem sido vacinados, em autêntica postura de “fura-fila”. São denúncias? Sim. Há que se provar? Sim. Há que se fiscalizar? Também sim.
Mas, difícil será o controle se não se publicizar todo o processo de vacinação com as listas de cidadãos que já receberam suas doses. Só assim é possível se ter algum controle. A não oferta disso, certamente estará a serviço da “coisa mal feita”.
Vamos ao objetivo e prático. Barretos não tem mais que 400 médicos atuantes, incluindo os de linha de frente, e que são os primeiros da fila de prioridade (oficial do Ministério da Saúde), ao lado profissionais paramédicos… e ainda existem médicos sem vacina, a espera das mesmas. Vejam um traço de dignidade profissional: estão à espera…e não à procura das mesmas, numa postura clara de altruísmo, num mundo eivado de egoísmo e ganância.
Que para adiantar essa vacinação, nos 3 últimos dias foi preciso cobrar com objetividade, e graças a um competente médico (só agora) contratado pela administração, para organizar a campanha foi possível, aumentar o número de vacinados. Aliás, me consta que não havia a figura do médico na organização da campanha. Isso é grave.
Não se quer dizer aqui uma preocupação “corporativa” do assunto. É uma preliminar do que pode vir a acontecer para a grande massa da população que virá na sequência da campanha. Médicos têm sido até passivos em aguardar uma espera injusta, na fila de escriturário(a)s jovens, de hospitais, em nome do perigoso critério de “linha de frente”. E com o inocente gesto de postar fotos nas redes sociais.
Alerta aos Vereadores, que são fiscais de uma tarefa importantíssima, preocupando o mundo todo e, que me parece, meio silentes diante da vital importância do momento. Ele tem o condão de poder denunciar (e sem provas), fiscalizar de perto e efetivamente agir em proteção do cidadão.
À Sra Prefeita, mesmo entendendo serem os primeiros momentos da gestão, o alerta tem finalidade de observar cuidados do seu bastidor do comando da saúde que precisa, mais do que nunca, de eficiência e qualidade. E (o que sempre tem faltado) absoluta transparência com a coisa pública.
Não adianta a foto, primeira página e ufanismo do primeiro dia…a sequência é fundamental e exposta ao repudiado vício do oportunismo e do “levar vantagem”.
Espera-se que as novas fases de vacinação sejam feitas com o devido respeito à normas estabelecidas, mas que precisam de fato serem aplicadas.

Dr. Fauze José Daher. Médico/Gastro-Cirurgião. Ex-Diretor Clínico da Santa Casa de Barretos. Ex -vereador Constituinte e Advogado.

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