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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Artigos

TRÂNSITO FAZER OU DEIXAR DE FAZER?

Muita gente acha violento o trânsito no Brasil, mas poucas pessoas estão dispostas a mudar isso. A explicação é simples. No Brasil o trânsito é visto e participado como uma disputa, um embate entre pessoas demonstrando poder. Os veículos maiores intimidam os menores, os menores se aproveitam do seu tamanho para trilhar caminhos que não são caminhos.
As motocicletas são vítimas do trânsito (pensam assim), porque seus condutores não dispõem de proteção suficiente, parecidas com os carros ou outros veículos. Bobagem. Na maioria dos casos, é um absurdo chamar os motociclistas acidentados de vítimas, pois eles “procuram” os caminhos mais perigosos. Poucos param em sinais de parada obrigatória, e aquela olhadela só serve para avisar que os carros têm que frear porque eles estão entrando na via. Canteiros são apenas “pequenos” obstáculos para mudarem de via, e se no lugar tiver um “corte” no canteiro para escoamento de água, muito melhor, porque ali é lugar de passar a motocicleta.
Quando acreditamos (motos, carros, caminhões, ônibus ou qualquer outro veículo) que podemos levar alguma vantagem no trânsito, apenas contribuímos para a violência. Somos, portanto, hipócritas disfarçados de bons samaritanos. Dormimos um pouco mais, para corrermos para o trabalho ou para a faculdade ou para a academia. Marcamos compromissos em horários que sabemos que não vamos cumprir, mas a insanidade de nos deslocarmos com tanta pressa se justifica pelos inúmeros abusos que cometemos.
Um fator que seria muito engraçado se não fosse insano, é que falamos mal de quem nos fecha no trânsito ou cometem algumas barbaridades em nossa frente. Achamos-nos no direito de criticarmos em rodinhas de amigos que presenciamos um “barbeiro” na cidade. Mais uma vez hipocrisia, porque muitas vezes para estarmos nessa rodinha de amigos, nosso veículo está estacionado em local proibido, ou para chegarmos aqui, andamos numa via na contramão, passamos por um semáforo no final da cor amarela e praticamente todo o cruzamento, passamos no vermelho, e muitas outra peripécias.
O trânsito muda somente quando as pessoas mudam, e será que encontramos alguém disposto a mudar? Nós mudaríamos? Mudaríamos alguém? A resposta é quase óbvia. Infelizmente.
 
Marcelo Basso Pereira

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