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terça-feira, 16 de abril de 2024

Artigos

Traje Nosso de Cada Dia

Em um mundo cada vez mais supérfluo, onde roupas e sapatos da moda, cosméticos importados e infinitos acessórios adornam corpos perfeitos, é comum encontramos várias almas desnudas e esfarrapadas.
Esses corpos, matérias perecíveis, podem a qualquer momento serem lançados a uma cama de hospital, recebendo pijamas timbrados com o nome de uma instituição e na cor por ela escolhida. Nessa hora, todos se tornam iguais; não existe nem rico nem pobre, nem velho nem novo, nem doutores nem analfabetos.
Bastam alguns dias na cama, para que a força muscular adquirida em anos de academia vá embora, para que os cabelos brancos fiquem sem retoque, para que o excesso de Botox que impedia de expressar as emoções com intensidade, não impeça mais…
Em meio a infinitos pijamas cinzas, se destacam aqueles que cuidaram durante a vida, dos trajes da alma. Estes podem se orgulhar do belo guarda-roupa, enquanto muitos se envergonham da pobreza de espírito, que carregavam até então com honra.
Quanta honra, quanto orgulho, quanta vaidade, quanta soberba em vão…Quantas almas despidas! Despidas de amor, despidas de paz, despidas de vida!
Ah! Quanta tristeza ao se descobrir nu, na hora em que mais precisava de alvas vestes.
A grande realidade da vida é que por detrás de toda maquiagem, vestimenta e status, tem uma coisa que não tem nome; e essa coisa é o que somos! (Já dizia José Saramago)

Erika Borges, cronista e escritora, autora dos livros Crônicas e Reflexões da Vida e Crônicas e Reflexões na Pandemia e mediadora de Biblioterapia.

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