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segunda-feira, 14 de junho de 2021

Artigos

Todo julgamento é uma confissão

Somos várias pessoas convivendo e sentindo o mundo, cada qual à sua maneira. Somos únicos, carregados de subjetividades, idiossincrasias e de experiências. Nesse caminho, cada pessoa possui a própria forma de digerir, significar, ressignificar, elaborar e reelaborar o que chega, o que acontece, toda dor e alegria por que passa enquanto caminha. Ninguém é igual a ninguém.
Da mesma forma, os indivíduos formam opiniões, agregam princípios, constroem visões de mundo, de acordo com a maneira como sentem a vida. Nesse caminhar, as pessoas procuram por religiões, ideologias, posicionamentos políticos, que sejam afins com o que possuem dentro de si. A gente quer se sentir bem e sempre se aproxima do que nos traz prazer, do que nos traz respostas, do que nos tranquiliza.
E é assim, também, que acabamos procurando as pessoas que farão parte de nossas vidas. Até podemos tentar forçar aproximações com quem não tem nada a ver com a nossa essência, mas, inevitavelmente, ficaremos junto daqueles que não destoam demais do que somos, pensamos e de como agimos. Daí aquele velho ditado que diz que, se dissermos com quem andamos, dirão quem somos.
Isso quer dizer que teremos que conviver com pessoas que se vestem diferente de nós, que pensam de forma oposta, que não possuem as mesmas aspirações que as nossas. Isso quer dizer que não poderemos nos sentir melhores ou mais certos do que o outro, tão somente por conta de nossas convicções serem diferentes das dele. Isso quer dizer que, ao julgarmos quem vive diferente de nós, estamos, na verdade, expondo o que somos. Estamos gritando a empáfia de nossas verdades, como se fossem absolutas.
Quem julga demais é alguém que não aceita o contraditório, que não tolera maré oposta, que se sente o dono da razão, porque tem medo do desconhecido. Tem medo de se reconhecer imperfeito, de enfrentar o próprio reflexo de suas falhas. E, pior, tem gente que nem julga, já condena de vez, retirando do outro o direito de ser quem é, somente porque o outro anda na contramão do que os senhores da verdade preconizam como regra. Pura birra de criança mimada.
O mundo melhoraria muito se cada um cuidasse da própria vida, não se incomodando com o que não lhe diz respeito. Se a vida alheia não invade o seu espaço, deixe o outro em paz. Está sobrando tanto tempo assim na sua vida? Tem um monte de terreno por aí para capinar. Atire pedras quando tiver certeza de que seu teto não é de vidro. Só porque a pessoa comete um erro diferente do seu, não quer dizer que você é melhor do que ela. Repensar atitudes. Para ontem.

Prof. Marcel Camargo
Graduado em Letras e Mestre em “História, Filosofia e Educação” pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica.

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