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TEMPOS DE VACA LOUCA
Bom Dia Barretos. Creio que estamos vivendo, em nossa sociedade, tempos que como diziam os antigos, a vaca não está reconhecendo, nem mais seu bezerro. Sim, está parecendo que a vida pública brasileira está de cabeça para baixo ou de pernas para o ar, como queiram, ninguém entende ninguém.
Estamos assistindo os poderes se digladiando e trazendo à nossa memória tempos idos de nossas infâncias. Era frequente um moleque intrometendo-se na discussão de outros dois e colocando sua mão entre eles falar: – Quem for o mais valente cuspa aqui, para em seguida, tirando sua mão, fazer com que a cusparada atingisse o outro, e com isso iniciasse uma briga.
A Constituição brasileira prega a harmonia entre os poderes, mas o que estamos presenciando hoje é uma escaramuça sem tréguas, entre os poderes da República, sem exceção. Já tive oportunidade de externar aqui minha opinião sobre situações semelhantes, quando dizia: sabemos como tudo começa, mas nem por sonho podemos vislumbrar como acaba.
Fico então a me perguntar: Por que chegamos a esse ponto? Sei que as respostas são difíceis, mas as labaredas da fogueira instalada já começam a chamuscar pessoas e instituições. Jogar mais combustível na fogueira é de uma insanidade a toda prova, é deixar o fígado balizar as decisões, relegando a um segundo plano nosso cérebro e coração.
Que pena! O Brasil não merece isso. Não existe pacote de estímulo à economia que consiga sobreviver e obter êxito no fogo cruzado da disputa entre poderes. Não há estabilidade política e muito menos econômica que a essa verdadeira Torre de Babel.
Todos perdem, poderes e poderosos, mas principalmente a população mais humilde e carente. Creio que está faltando um pouco de humildade e de bom senso, de lado a lado.
Ninguém em sã consciência pode se considerar vitorioso numa luta dentro de um lamaçal. Será que não estão pensando no país, na pátria e em nosso povo, ou será que a vaidade e a disputa do “Quem pode mais”, estão cegando a todos.
É hora de descer das tamancas e calçar as sandálias da humildade, deixando para que a história registre a contribuição de cada um para o restabelecimento da normalização política, institucional e econômica da pátria. Seria bom que pudessem ler a fábula “Nunca empregue a força”. A fábula conta a história de um garoto, que tendo saído com os pais num piquenique de final de semana, se encantou com uma coisa que parecia uma pedra capaz de andar. Aproximou-se e examinado melhor percebeu que era um estranho animal que encolhendo fechou-se dentro da casca. Imediatamente, pegou um pedaço de galho e começou a cutucar todos os orifícios que havia na carapaça. Como nada adiantava, foi ficando cada vez mais impaciente e irritado. Foi quando o pai se aproximando disse ao filho: – Meu filho, você está perdendo seu tempo. Não vai conseguir nada, mesmo que fique um mês cutucando a tartaruga. Não é assim que se faz. Venha comigo e traga o bichinho. Deteve-se perto de uma fogueira acesa com gravetos do bosque e disse: – Coloque a tartaruga aqui, não muito perto do fogo. Escolha um lugar morno e agradável. Depois de alguns minutos, e sob a ação do leve calor, a tartaruga pôs a cabeça de fora e caminhou tranquilamente, ao que o pai completou: Viu filho, bastou apenas um pouquinho de calor.
As tartarugas tal qual pessoas sempre repelem o uso da força. O calor de um coração generoso pode, às vezes, levá-las a fazer exatamente o que queremos, sem que se aborreçam conosco e até mesmo com satisfação e espontaneidade. Creio meus irmãos, que é disso que o Brasil está precisando, mais calor humano, mais bombeiros e menos incendiários.
BOM DIA BARRETOS.