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Tempo de outrora
Casimiro de Abreu escreveu um poema chamado Meus Oito Anos e nele os seguintes versos introduzem-no: “Oh! que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais!”.
De fato, a infância é um momento marcante na vida de todos, pois ali se aprende tudo: andar, falar, pedir, chorar, escrever, ler, raciocinar, brincar e crescer. Essa última fase amarga muitos corações, uma vez que para crescer é necessário abandonar a vida anterior e abraçar uma vida nova: de pequenas responsabilidades a pagamentos de contas, auto sustento e sustento da família, abandono da família sanguínea para se constituir uma nova, ter relacionamentos, empregos, horários fixos, discussões sérias, conquistas, tristezas e alegrias.
Em um mundo tão conturbado, por diversos momentos a insatisfação grita, como se a felicidade, ao invés de alcançar as pessoas, fugisse delas. De tal modo, pessoas vivem desejosas de ir além, mas nem sempre sabem o que seria esse algo a mais em suas vidas, assim, frustram-se em seus desejos e, com tal frustração, procuram uma força interior que por vezes fazem-nas pensar: antigamente eu era feliz e não sabia. Ah! Se o mundo e o tempo voltassem, eu aproveitaria melhor cada momento que desperdicei.
Mergulha-se em pensamentos recordando-se das fases da vida: a infância, com os amiguinhos da escola, os quais dividiam seus lanches e formavam seus grupos, suas turmas; mais adiante, ainda na infância e já no início da juventude, a prática de esportes, os namoros, as saídas noturnas para bailes, discotecas a fim de se ter diversão; no início da fase adulta, perca de familiares e características da infância, troca de amigos, mudanças físicas, busca de universidades, constituição de uma profissão.
O tempo de outrora era bom, dá saudades, conforme alertara Abreu. Pensamentos vêm e vão, mas a vida segue sem parar. Por mais que as saudades venham, hoje eu sou constituído de tudo que experimentei ao longo de minha vida.
Ele traz memórias, as quais se tornaram memoriais. Traz nostalgia, que nos faz desejosos de reviver tudo de novo, mas acima e antes de tudo, nos traz a experiência para sermos as pessoas que hoje somos, pois foram a partir destas que nos moldamos, e o tempo… bom, este se tornou nosso amigo e companheiro, mesmo que os anos não voltem, olharemos para trás com satisfação, pois vivemos com intensidade e o aproveitamos como pudemos, da melhor forma que conhecíamos.
Flávio Aparecido Pereira, Padre