Ir para o conteúdo

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

A sublime arte de duvidar

Muitas pessoas escrevem pelo simples prazer de escrever, definitivamente eu sou uma delas. Não escrevo para espantar os meus fantasmas, tampouco por autopromoção. A escrita, assim como a música, ou desenho, ou pintura, ou sei lá, fazer bebês, são fontes de bem estar e alegria. Por isso digo, não importo se esse texto não for publicado no jornal (pelo amor de Deus publiquem), ou se não receber nenhum e-mail com elogios sobre a minha eloquência e capacidade de coesão das ideias (pelo amor de Deus me escrevam).
Esta breve reflexão, por exemplo, é a respeito do ato de duvidar. Quem nunca ficou indeciso entre comprar uma televisão de 43 ou 50 polegadas? Samsung ou LG? Celular da Apple ou o chinês da barraquinha? O sábio Pedro Bial, traduzindo um clássico da autoajuda, diz que as pessoas mais interessantes não sabem o que querem da vida aos trinta anos. É exatamente aí que mergulho no texto. Eu estou com mais de trinta e ainda não sei! Já frequentei psicólogos, psiquiatras, anos de terapia, igrejas, convenções, retiros espirituais, tratamento de choque, e o resultado: continuo um cara completamente indeciso. Um amigo me disse: “cara, você precisa melhorar a sua tomada de decisão”. Mal sabia que tínhamos esse tipo de tomada em casa…
Quanto mais velho, mais indeciso, e não sei onde isso pode acabar. Recentemente, construindo minha casa nova, foi um verdadeiro derradeiro: esse piso ou aquele? Essa cor para as paredes ou aquela? Essas pastilhas na piscina ou as outras? Um funcionário chegou a me chamar de “um cara duvidoso”. Mal sabia que tínhamos essa palavra no dicionário. Para piorar, compramos uma televisão e assinamos netflix em casa. São horas escolhendo o filme, a angustia vai subindo, o relógio avançando, e quando percebo já são 2 horas da manha, não escolhi porcaria de filme nenhum e vou dormir frustrado. Não terminei a faculdade (ainda não sei qual curso quero), e cheguei a trocar 10 vezes um único par de chinelos por não saber se gostava mais desse ou aquele, fiquei famoso naquela loja.
Quer saber, caro leitor, você não tem culpa das minhas indecisões. Vamos trocar o ângulo, indecisão é um sublime dom dos céus… Ok, ok, indecisão não tem cura, assumo minha culpa no cartório, nunca mais vou decidir nada na minha vida, decidam por mim e me deixem em paz! A proposito será que o texto ficou bom ou não…?!

Levon de Araújo Coutinho é barretense de coração, casado, pai de 2 lindos filhos.

Compartilhe: