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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Artigos

Solo saudável: agricultura com vida

A grande extensão geográfica do Brasil faz com que as condições de nossos solos sejam bastante variáveis. Se formos analisar de Norte a Sul, é possível encontrar uma diferença entre 40% e 45% na fertilidade de nossas terras. O que há em comum é a necessidade constante de cuidado com este bem. Relatórios da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) apontam que mais de 30% dos solos do mundo estão degradados.
Entretanto, boas práticas agrícolas têm auxiliado os produtores e o setor, que buscam a redução deste número. Na área da biotecnologia, por exemplo, as ferramentas naturais auxiliam no fator biológico, físico e químico das terras, com o objetivo de melhorar a vida no solo. Dessa forma, as soluções sempre estão compostas de microrganismos benéficos, já que na ausência deles, menos vida haveria no meio. Este equilíbrio proporciona um tempo de vida mais acentuado, ou seja, vida nova ao solo.
Tratos culturais como o plantio de determinada cultura para que, em meses futuros, ela seja incorporada ao solo, também são positivas. Isso faz com que a grade orgânica seja enriquecida. Assim, conforme a planta for se desenvolvendo, ela vai encontrando no solo um ambiente totalmente favorável para o seu crescimento. Este manejo de incorporação é extremamente importante, porém é relevante usar equipamentos adequados para que isso aconteça. Não se pode esquecer também das práticas para a manutenção da saúde do solo após a instalação da cultura, ao exemplo do controle racional de pragas e doenças.
Entre as principais situações identificadas nos solos do nosso país estão os desequilíbrios mineral, estrutural e biológico. E, hoje, se formos realizar um mapeamento, já é possível observar agricultores que conseguem recuperar estas terras e serem beneficiados pela escala de produção dentro da mesma área. Além do incremento em produtividade, destacam-se ainda os ganhos na qualidade do produto final, que permitem uma melhor colocação do produtor no mercado, devido ao diferencial alcançado. Vale ressaltar que este trabalho se concretiza a médio e longo prazo. Os resultados não são colhidos na primeira safra, mas sim após quatro ou cinco anos de dedicação.
As empresas cada vez mais se profissionalizam e capacitam seus colaboradores para que eles possam auxiliar o produtor nos cuidados com o meio. Esse é um trabalho muito forte no setor que busca inovação a nível mundial adaptando-a para o nosso universo, do solo tropical. O que mostra a importância de sempre contar com o auxílio técnico antes e durante um tratamento de correção às terras.
Diante disso, é possível notar que existe atualmente um processo de maturidade tanto dos produtores rurais quanto das empresas profissionais do setor, que enxergam uma evolução em andamento. Panorama que há dez ou quinze anos ainda não era possível, pela ausência das tecnologias e soluções que encontramos disponíveis para auxiliar a agricultura nesse sentido. A partir de agora, o caminho é o aprendizado.

Autor: Sérgio Carvalho, engenheiro agrônomo e gerente nacional de fertilizantes da Alltech Crop Science.

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