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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Artigos

Socorro: quero falar com a Ouvidoria

No dia três de agosto de 2014, domingo passado, as 19h30, um cidadão de nome Euzébio (nome fictício) ligou para o 190 da polícia para pedir que uma viatura militar fosse a Av. Caetano, no Acupe de Brotas, em Salvador, para conter um grupo que usava e abusa do espaço público, para comemorar, não se sabe o que, usando carros com som nas alturas, usando drogas e bebidas alcoolicas, onde mulheres e homens embriagados e drogados se promiscuiam em frente as residências sem que seus moradores nada pudessem fazer. Muitos foram os pedidos e como resposta o som era aumentado ou eram intimidados pelos meliantes que infestavam o local.
Achando que como cidadão ligasse para a polícia ele teria suas reivindicações atendidas, foi o que ele fez. Ligou para o número 190, esperou algum tempo até que atendessem e falou:
-Boa noite, meu nome é Auzébio e queria fazer uma denúncia.
-Qual é a denuncia? Perguntou a voz do outro lado da linha.
-Está acontecendo uma confusão muito grande na Av. Caetano, no Acupe, com muitos carros obstruindo a rua e com seus aparelhos de som nas alturas. A proliferação de drogas e bebidas alcoolicas entre eles é uma ameaça para os moradores que temem pelo pior
-Vou pedir para o pessoal da CET ir até o local – Respondeu a voz do outro lado da linha.
– Senhor, eu não estou solicitando a presença do CET preciso que mande a polícia até o local – Questionou Euzébio.
-A CETT vai resolver o seu problema – Retrucou a voz do outro lado da linha.
-Não vai resolver, pois o problema não é de competência da CET e sim da polícia – Insistiu Euzébio.
-Vou mandar a CET até ai…
-O senhor pode dizer seu nome? Perguntou Euzébio, demonstrando impaciência.
-Pra que quer saber meu nome – Respondeu o homem ao telefone.
-Qual o problema em dizer seu nome, o senhor é um policial ou é apenas um civil?
-Não interessa, não tenho porque dizer o meu nome.
-Qual seu problema que não pode se identificar, esta com medo de que?
-Não interessa, não vou dizer meu nome.
-Quero falar com um policial e não mais com o senhor – Insistiu Euzébio.
-Não posso fazer isso.
-Qual o seu problema em não dizer seu nome, você é conivente com o que está acontecendo nesta rua, se esconde num telefone e não diz seu nome? – Reagiu Euzébio mostrando irritação com seu interlocutor mal- educado e despreprado.
O telefone foi desligado abruptamente.
Não se dando por satisfeito, Euzébio ligou para alguns amigos da polícia, mas sem resultado, ou os telefones informavam estar fora de área ou simplesmente não davam linha.
No dia seguinte ele conseguiu falar com amigo policial e lhe contou o ocorrido, indignado o policial orientou que ele ligasse novamente para o 190 e procurasse o policial de plantão na mesa de atendimento.
Seguiu a orientação do amigo e mesmo assim não obteve sucesso. O máximo que conseguiu foi um número 3322-5360 que, segundo o atendente, era o número para falar com a Ouvidoria. Lêdo engano. Ligou cerca de três vezes e o que ouvia era que aquele número não existia.
Incansável ele buscou na internet o número da Ouvidoria da Polícia Militar. Anotou o número 3116-3082. Ligou e uma atendente pediu que ele relatasse o ocorrido, depois de perder alguns minutos explicando o que havia acontecido á atendente pediu que ele ligasse para número que ela lhe daria em seguida e lá registrasse sua queixa.
-Mas ai não é da ouvidoria? – Quis saber Euzébio meio desanimado.
-Não senhor, é do setor de comunicação. Ligue para o número 3117-4470 e lá seu problema será resolvido.
Decepcionado depois de passar quase uma hora tentando ser ouvido por um setor do Estado para relatar o despreparo de um órgão público que não atende as demandas de um cidadão que bate a sua porta, Euzébio fez sua última e desesperada tentativa e ligou:
-É da Ouvidoria!
-Do que se trata? – Inquiriu rispidamente uma voz feminina do outro lado da linha.
-Quero fazer uma reclamação.
-Pode falar.
-Meu nome é Euzébio, estou falando com quem?
-Jundiara – Respondeu uma voz mais branda.
Aliviado achando que agora seria ouvido, Euzébio passou a relatar o ocorrido na noite de domingo do dia 03 de agosto e sobre o tratamento que recebeu das atendentes que a antecederam até aquele momento.
Depois de algum tempo falando ao telefone e ouvindo da atendente hora um murmúrio, hora um sim senhor ou pode continuar que estou te ouvindo e sentindo-se já contemplado pela atenção da atendente, Euzébio concluiu sua fala dizendo para a atendente:
-Sra. Jundiara, se a polícia tivesse ido ao local assim que fiz à solicitação, as 22h30 não teriam acontecido brigas, gritarias, corre-corre seguido de tiros que ninguém sabe de onde partiu e que poderia ter atingido um inocente como às vezes vemos nos noticiários dos telejornais. Por isso quero que deixe isto registrado…
-Sr. Euzébio, eu aconselho que o senhor entre site www.ouvidoria.ba.gov.br e lá faça seu registro que com certeza o senhor terá uma resposta.
-Mas…
-Entre no site Sr. Euzébio, com certeza o senhor vai ter um retorno da Ouvidoria.
-Mas ai não é a ouvidoria?
-Consulte o site – Disse, desligando o telefone.
Com um misto de indignação e raiva, Euzébio ainda recorreu ao famigerado site e acessou a página indicada pela atendente.
No local onde diz faça sua reclamação havia um código de segurança onde teria que preencher algumas letras e números para ter acesso à página onde faria a reclamação. Eufórico, ele digitou as letras e números e finalizou onde indicava acessar e para seu despero surgiu uma informação dizendo que o código de segurança não confere. Tentou uma, duas, três, quatro, cinco vezes e a mesma resposta.
-Diabos! Não dá para acreditar, estamos num mato sem cachorro. A ouvidoria é um órgão público inacessível, abstrato. Socorro…! 
 
Juarez Cruz
Salvador-BA

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