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Só falta um pouquinho pra deixarmos a escravidão
Já somos livres, mas ainda não.
Livres, porque já fomos salvos por Cristo na cruz, que nos deu a graça de podermos ser “filhos adotivos” do Pai, pelo Batismo que Ele instituiu para nós. Tão livres que ninguém é obrigado a obedecê-lo e, por isso, usando da sua liberdade, ficar sem Batismo e sem ser adotado por Ele. O Batismo é um ato de Fé, e crer é uma decisão pessoal, a pessoa crê se quiser, faz sua escolha. No entanto, é bom saber que escolhas geram consequências. Boas ou más.
Embora livres, estamos sujeitos a inúmeras escravidões. Estamos presos: no tempo, no espaço e na matéria; no sistema econômico; nos imperialismos capitalistas, sem quaisquer chances de escape; nas redes sociais; nas corrupções governamentais intermináveis; nos impostos abusivos; na agiotagem dos juros criminosos, mas legalizados; escravos do medo angustiante que nos impigem as quadrilhas, os traficantes, os tiranos, os hackers, os golpistas, os estupradores, os falsos pastores e tanta gente demoníaca que nos cerca.
A mãe de Deus, Maria, ao cantar o Magnificat, engrandece a Deus que lhe fez maravilhas, e também porque Ele “dispersou os orgulhosos; derrubou os poderosos de seus tronos e os humildes exaltou; de bens saciou os famintos e despediu, sem nada, os ricos”… E alguém, desavisado e mal formado, questionaria: quando isso? Toda essa gente está por aqui, endemoninhando a vida de todos nós. Será que ela não está vendo?
Aí chega, por exemplo, o Tempo do Advento, a proximidade de mais um Natal, e a Igreja nos lembra tudo o que foi dito e previsto pelos profetas da Antiga Aliança e, principalmente, pelo próprio Deus, na pessoa de Jesus Cristo, seja na proclamação das Bem-aventuranças (Mt 5), ou nas várias passagens em que nos anima afirmando que nossa libertação está próxima, e grande será a nossa recompensa no reino celestial.
Jamais podemos duvidar da Justiça divina, que está sendo realizada diariamente, milhões de vezes por dia! Deus não permite que se arranque o joio na face da terra. Ele pede que esperemos a colheita. E a colheita acontece, por enquanto, nos túmulos, de onde todos saem, queiram ou não, ressuscitando: “aqueles que fizeram o bem, vão ressuscitar para a vida; os que praticaram o mal, vão ressuscitar para a condenação” (João 5,29).
De modo que a Mãe de Deus, e nossa, está certíssima, porque o inferno já tem bilhões de orgulhosos, valentões, ricos e poderosos, já destronados e apartados. Enquanto outros bilhões de famintos, injustiçados e humildes já exaltados nos reinos celestiais.
Nós, que optamos por nos tornarmos discípulos seguidores de Jesus Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida, e por enquanto estamos ainda aqui, na existência terrena, vivemos como peregrinos da esperança, faltando muito pouco para a nossa libertação final das escravidões que nos aprisionam. Que faltem seja dez ou noventa anos… é um tempinho muito pequeno em comparação à eternidade celestial para a qual vamos.
Por: Diácono Lombardi