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terça-feira, 03 de agosto de 2021

Artigos

Situação crítica e estranha da saúde em Barretos

Há 3 anos a Santa Casa de Barretos tinha 330 leitos que de repente foram reduzidos a próximos da metade sem qualquer medida de recuperação dos mesmos. Principal ponto de apoio à grande população, dá hoje notícia de que não há medicamentos, não há recurso e a lotação total dos leitos para COVID.
Chama atenção a frieza em vir dar uma notícia que, de fato, traz insegurança a todos os cidadãos de Barretos e região.
O monopólio de gestão da saúde, entregue “de bandeja” pela Prefeitura, tem como consequências a falta de qualidade no atendimento de quase todas as especialidades.
A Santa Casa hoje padece de uma grave degradação no atendimento, mormente, pela inexperiência e falta de especialidade dos profissionais que atendem diretamente os pacientes. Também é grave a falta de comprometimento com o paciente ali atendido.
Agora, receber em primeira página, por profissional médico especialista, que a situação de Barretos é grave, torna-se inaceitável pela falta de política de atendimento do COVID19, assistindo-se falhas desde o acolhimento com testagem de péssima oferta e agilidade, passando pelo acompanhamento dos casos iniciais, que é precário, indo até à falta de tratamento precoce ou preventivo que praticamente inexiste.
Ressalvam-se alguns planos de saúde que oferecem os kits para pacientes em início de doença, até hoje sonegado pela Prefeitura Municipal ou pelo monopólio assistencial.
Questão que merece atenção da fiscalização da execução da saúde na cidade é a promiscuidade de recursos para câncer com recursos para medicina geral não se sabendo ate onde estão os limites de aplicação para uma e para outra área. De qualquer forma, tanto para câncer como para medicina geral e pandemia, é certo o montante volumoso dos recursos conseguidos, ficando incoerente a reclamação da falta de recursos.
Por fim, fica a situação dantesca de se prometer a melhor “medicina do mundo” a ser implantada na Santa Casa, de forma demagógica em momentos eleitorais, e o atual vexame de péssima gestão da nossa Santa Casa.
O barretense fica a assistir investimento pela gestão de núcleos oncológicos pelo Brasil todo, ficando a Santa Casa, pelo mesmo gestor, sob penúria de se precisar fugir de Barretos para se tratar. Isso assim, quando dá tempo, caso contrário, estamos vivendo uma situação de angústia nunca vista em tempos mais “pobres”.
A crise é geral, porém, existem cidades (e muitas) com melhor situação do que essa a que Barretos foi levada.
Como existe uma grande maioria que fica “amordaçada” sem poder cobrar ou denunciar, exatamente por coerção do monopólio, ficam as consciências de poucos, de forma independente, premidas a se manifestarem.
É o que fazemos nesse momento.

* Dr. Fauze José Daher
Médico Gastro Cirurgião
Ex Diretor Clínico da Santa Casa de Barretos. Ex Presidente da Assoc. Paulista de Medicina de Barretos
Advogado

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