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segunda-feira, 04 de março de 2024

Artigos

Sexta-feira depois das Cinzas

“Já não se tem mais Quaresmas como antigamente” é um comentário que ainda costumamos ouvir de vez em quando, dito por aqueles cristãos de mais idade que se recordam dos hábitos quaresmais do século passado, lá pelas décadas anteriores aos anos 60. Havia cuidado com o volume dos rádios, quando a televisão era para poucos mais afortunados, os jejuns eram mais praticados principalmente em todas as sextas-feiras, quando o consumo de carnes e bebidas alcoólicas diminuía drasticamente, além de maior frequência a celebrações litúrgicas nas igrejas, específicas desta época de reflexões e meditações mais aprofundadas, e tantos outros costumes que, por vezes, se confundiam até com atos supersticiosos.
Houve uma mudança de época. Numa multidão inumerável de pessoas surdas à Palavra de Deus, vivemos hoje em meio a um relativismo extremo, à beira de um neognosticismo. Para a maioria da população mundial, e também em nossas cidades brasileiras em vista de dados estatísticos de que o Brasil é um dos países mais cristãos do mundo, na verdade o conhecimento do sentido real da existência humana ainda é muito precário. As pessoas, em geral, sofrem mais apenas para sobreviver às dificuldades diárias, em busca de recursos para suas necessidades obrigatórias de alimentação, pagamento de impostos e dívidas, transporte, saúde, educação de filhos, segurança… ou seja, numa busca interminável de uma melhor qualidade de vida. Sobra pouco tempo para pensar em Deus, a não ser em gemidos a ele dirigidos com pedidos de socorro a tudo isso.
A Igreja tem a missão, da qual não se esquiva, de anunciar a todos a salvação que Jesus nos oferece, o que ela faz no dia a dia, e com uma força maior no tempo quaresmal. A quaresma, anualmente, é um tempo de cinco semanas para que a pessoa pare um pouco para refletir na sua própria existência e o que Deus lhe oferece, em seu amor infinito. Um amor tão imensurável que o seu Filho provou na sua violenta paixão e morte em cruz.
As cinzas, que recebemos no início deste tempo, significam: a vida aqui é curta demais para ser desperdiçada.

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