Ir para o conteúdo

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Será que aprendemos a lição com os erros do passado

“A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa” disse o sociólogo e filósofo Karl Marx.
Era uma vez uma Alemanha devastada, que há pouco havia deixado o velho sistema das Confederações germânicas (de 39 estados), que fora unificados e em 1871 formaram a Alemanha, sem, contudo deixar seus conflitos com a Áustria. E com a França.
Um país novo formado tardiamente, e que agora batalhava para entrar nas disputas com as demais nações europeias pelo controle e domínio do continente africano e asiático. O neocolonialismo, ou imperialismo, foi a luta entre grandes potências europeias como a Inglaterra, a França, a Bélgica, a Itália e Alemanha pelo controle econômico, cultural e geográfico da África e Ásia, episódio que resultou na partilha desses continentes, em especial da África, e no domínio sobre tais.
A luta por estas fatias e as crises geradas resultou no ano de 1914 a eclosão da Primeira Guerra Mundial, que findou em 1918 e trouxe uma grande derrota a Alemanha, que foi onerada e teve que arcar com consequências financeiras e militares enormes dos prejuízos causados pela Grande Guerra.
A pesada crise econômica, as restrições militares, associados ao contexto externo como a Crise de 1929 que atingiu quase que todo o mundo, deixou uma Alemanha devastada. Desemprego, miséria, conflitos ideológicos, tempos de instabilidades e incertezas. A população alemã caminhava desolada e clamava por uma salvação, por um “herói”.
Nesse interim ideologias tenebrosas se espalhavam pelo mundo. Baseados no conceito da eugenia onde se cria que uma raça superior prevaleceria e causaria a extinção natural de raças inferiores.
Também em outras nações surgiam seus grandes líderes com suas ideologias e conceitos sobre a sociedade, sobre o papel do Estado.
E assim, ascendia sobre a aclamação popular, um herói que salvaria a Alemanha e derrotaria os inimigos, que ergueria o país. Hitler se erguia, aclamado, unia o país, e, baseado na eugenia, perseguia as minorias, culpadas de toda a desgraça da Alemanha. Judeus, ciganos, homossexuais, comunistas etc., bem como a quem se opunham ao seu autoritarismo, ou que não fosse da raça ariana, que foram dizimados.
Hitler trouxe grandes males à história da humanidade. Uma mancha de dor e sofrimento. Porém será que o ser humano aprendeu a lição? Ou será que ainda continuaremos a clamar por heróis salvadores da pátria que combatem o mal e que expurga toda sujeira. E essa sujeira que será expurgada? Ainda serão seres humanos semelhantes a nós?
Como pode figuras ganhar tanta plateia e aplausos em cima do ódio seja contra judeu, ou contra muçulmano, contra homossexual, contra transexual, contra nordestinos, haitianos, contra estrangeiros, ou contra quem quer que seja. O mal não é o próximo! Mas a ignorância e o ódio, a intolerância e a carência de grandes salvadores, que a ninguém pode salvar.

Leonardo Ferrari Silva, historiador formado pela Faculdade Barretos

Compartilhe: