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SER TRANSPARENTE
Transparência é palavra de ordem em nossos dias. As pessoas, as organizações e instituições exigem transparência; em 2009 o governo brasileiro sancionou a 'lei da transparência', que obriga o Estado, em suas várias esferas, a divulgar seus gastos na internet. As vitrines que expõem soluções para problemas pessoais, familiares, profissionais e sociais, têm, entre seus principais produtos, a transparência.
Transparência deixou de ser simples palavra, tornou-se conceito, adquiriu status de valor. Entendê-la como virtude, qualidade, jeito de ser e agir supõe que, antes de exigir sua materialização nas organizações através de técnicas, e processos, ela seja internalizada pelo ser humano como valor, algo do qual não se abre mão, haja o que houver. Transparência é a capacidade de se deixar transpassar pela luz. A luz vem de fora, clareia, ilumina, põe a mostra tudo. O ser humano é o responsável primeiro para que aquilo que faz e, naquilo que faz, haja transparência, não como acessório, mas como extensão do seu próprio ser.
Exercitar a arte da transparência exige do ser humano a capacidade de conhecer-se, busca constante por saber e ter acesso ao que existe no mais profundo do ser. Nesse processo, orgulho e vaidade, somados ao complexo da perfeição, são nossos maiores inimigos, sobretudo, se tememos ser surpreendidos pelo desconhecido que habita em nós. Esse medo cria um ser aparente, que todo mundo vê, a máscara, a maquiagem, personagem que interpreta o papel de pessoa feliz, mas que é, na realidade, criança indefesa, que hora chora como vítima, hora avança como agressor.
Ser transparente é dispor-se a travar um constante combate contra os fantasmas que tentam habitar nosso ser. Mais que ser sincero ou não enganar os outros, ser transparente é ter a coragem de admitir-se: erros, acertos, qualidades, defeitos a serem superados, de se expor, ser frágil, chorar, falar o que sente e pensa, desnudar a alma, baixar as armas.
Temendo ser interpretados como fracos ou incapazes, a grande maioria de nós decide não correr esse risco, revestindo-se da dureza, apegando-se cegamente às regras, confundindo fragilidade com fraqueza; revestidos de poder, preferimos manter a falsa imagem que nos dá sensação de força.
Inegável o desafio ser transparente. Inegável, mais ainda, que em nós, habita a força capaz de desembaçar-nos, por dentro e por fora: o amor. Nosso amor, por melhor que seja, é limitado. Precisamos do Amor Maior que, como a luz, clareia, ilumina, aquece, permitindo-nos estar de frente conosco mesmos e, sem acusação ou culpa, recomeçar, quantas vezes forem necessárias. Chamem-no como quiserem isso não diminuirá sua grandeza. Eu o chamo, Amor de Deus.
Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia, Coaching
ivanpsicol@hotmail.com