sábado, 28 de novembro de 2020

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Ser Pai

Peço licença e desculpas a todas as mães, mas hoje vou falar de pai, pois naturalmente falamos de mãe o tempo todo, e sem querer nos esquecemos daqueles que muitas vezes sofrem por fazerem papel de coadjuvante.
Na gravidez se sentem impotentes, por não saberem o que fazer perante os enjoos, inchaços, e desconfortos que só as mães vivenciam. Só conseguem sentir os chutes na barriga de vez em quando, enquanto as mães os sentem o tempo todo.
Assim que os filhos chegam ao mundo, não são capazes de os alimentar de forma natural, e se atrapalham todo para trocar uma fralda; banhos parecem ser tarefas impossíveis. Mesmo assim, se mantêm ali, lado a lado, dando o máximo de si; não hesitando em sair a qualquer hora a procura do tão desejado doce para matar a vontade daquela que carrega seu filho no ventre; seguram sua mão na hora do parto, muitos desmaiam nessa hora…rss, mas pelo menos tentam…Nas difíceis cólicas da madrugada procuram se manter firmes, mesmo cochilando de vez em quando.
Aos poucos, vão se sentindo mais seguros, e vão conseguindo se superar, até que se surpreendem ao se darem conta, que se tornaram heróis de seus filhos, pois para eles jamais haverá alguém tão forte , corajoso, inteligente, que consegue ao mesmo tempo ter a bravura de um leão, ao os defenderem de todos os perigos, desde baratas a monstros escondidos debaixo da cama; a força de um halterofilista para carrega-los no pescoço, no colo e pra não deixarem que as ondas o derrubem no mar; a doçura de uma fada ,ao se deixarem ser pintados pelo kit de maquiagem de sua filha; a destreza de contadores de estórias e fabricantes e “consertadores” de brinquedos.
Infelizmente algumas pessoas não têm boas recordações de seus pais, mas não podemos atribuir defeitos apenas a eles, existem também mães que abandonam seus filhos, e da mesma forma que inúmeras mães fazem papel de pais, há muitos pais que fazem papel de mães.
A falta de laços sanguíneos, não são empecilhos para o amor de pai, que pode escolher filhos de coração, que darão razão a sua vida, mesmo esses já tendo pais biológicos presentes ou não, pois amor nunca é demais.
Carinhosamente apelidados de” pai-lhaço”, ou até “es-pai-talho”, termo inventado por um querido tio…rss, esses fortes e frágeis homens vivenciam a paternidade com acertos e erros, vitórias e derrotas, assim como as mães a maternidade.
Agradeço muito a Deus pelo meu herói contador de estórias, homem de poucas palavras, e muito caráter, com pouco dinheiro, mas com uma riqueza inigualável na alma e no coração. Tenho muito orgulho de ser herdeira de tão precioso tesouro, e peço ao Pai celestial que me dê sabedoria para multiplica-lo e eterniza-lo por todas as gerações.

Erika Borges

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