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segunda-feira, 04 de março de 2024

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“Senhor, se queres, tens o poder de curar-me”

Jesus é o taumaturgo por excelência, capaz de recriar o decaído. Para o evangelho de Marcos, Cristo tem poder sobre as doenças, inclusive aquela que acometia o homem deste trecho do evangelho de hoje, de quem não é informado o seu nome, mas reconhecemos a sua fé.

A lepra bíblica era um termo geral para designar qualquer doença repulsiva relacionada à escamação da pele, como psoríase e dermatite seborreica. Por exemplo, o livro do Levítico, mais especificamente o capítulo 13, descreve os vários tipos de enfermidade e sua detecção pelo sacerdote, que declarava, no final do tratamento, a pessoa pura ou impura.

O homem leproso (do grego, lepros) aproxima-se de Jesus e, ajoelhado, suplica-lhe: “Se queres, tens o poder de curar-me”. (…) A fé do doente o faz burlar a lei do distanciamento; sua fé o aproxima de Jesus. sua iniciativa se dá, exclusivamente, pela fé. Por sua vez, no v. 41, Jesus, cheio de compaixão, comovido interiormente, estendeu a mão, tocou ele e disse: “Eu quero: fica curado!” As palavras de Jesus levam o doente à cura, à sua purificação. No v. 42, o evangelista Marcos afirma que o homem ficou puro.

Jesus o mandou embora para cumprir o ritual de apresentar-se ao sacerdote, que o declararia puro, de acordo com a lei de Lv 14. “Não contes nada disso a ninguém” (v. 44) corresponde ao segredo messiânico, comum no Evangelho de Marcos e, por isso, comum também aos evangelhos sinóticos.

No entanto, assim que ele partiu, começou a proclamar e divulgar o fato (v. 45). Esse que conta e divulga os fatos, supostamente, é o homem curado. Há, contudo, quem sugira que o pronome “ele” possa ser atribuído também a Jesus. Dessa maneira, diluiria o efeito do segredo messiânico, pois Jesus mesmo teria contado o que fez, a cura praticada. O fim do v. 45 afirma que, em razão de tal divulgação, Jesus já não podia entrar publicamente nos lugares e de toda parte as pessoas vinham para que ele pudesse curá-las.

Jesus é o taumaturgo do Pai que segue, em sua vida itinerante, curando e purificando as pessoas de suas misérias e pecados. Que Ele continue a agir por meio de nossas atitudes no interior das comunidades cristãs! Que sejamos casa de clemência e misericórdia, na acolhida aos nossos irmãos e irmãs, como exorta o papa Francisco em sua ação pastoral. (Por: Vida Pastoral, n. 355)

 

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