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sábado, 13 de abril de 2024

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Seguir Cristo não é fácil

O evangelista João nos diz que, alguns dias antes da última Páscoa que Jesus viveu com os seus discípulos, um grupo de gregos aproximou-se “querendo ver Jesus”. Eles procuram Filipe que, por sua vez, procura André para que os apresente a Jesus. Trata-se dos dois discípulos cujos nomes tem raízes gregas.

Para João, “ver Jesus” não é apenas contemplá-lo com os olhos físicos, mas conhecê-lo em profundidade, penetrar na sua intimidade, vislumbrar sua verdadeira identidade.

João não nos diz se eles conseguiram aquilo que eles desejavam, mas, por outro lado, nos relata as palavras de Jesus que dão a chave para que possamos penetrar no seu mistério, conhecê-lo de fato em profundidade.

Jesus se serve da imagem do “grão de trigo” para falar de si, para falar da glória que o Pai lhe reservou, para indicar a sua hora, a hora para a qual ele vivera. Jesus diz que ele é o grão de trigo que cai na terra e morre; pois, morrendo, produz muito fruto.

Os que ceifavam o trigo e o ensacavam sabiam que pouco tempo depois ele deveria ser triturado, moído, destruído, para se tornar farinha e por sua vez tornar-se pão. Sabiam também que era preciso reservar parte da colheita para a próxima semeadura, e que somente lançando-o na terra é que garantiriam uma boa colheita.

Jesus diz que acontecerá com ele o que acontece com o grão de trigo. Foi para isso que ele veio: para dar a sua vida por amor. A sua identidade é a do que não guarda a vida para si, mas a entrega por amor, até o ponto de se submeter à paixão e à morte por amor.

E isso não se aplica apenas a ele, mas também a todo aquele que quer segui-lo e servi-lo: “Quem apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna”.

Porque não se apegou à sua própria vida e “não considerou um privilégio ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo”, ele pode pedir que façamos o mesmo: aprendamos com Ele que vale mais a pena dar do que receber, perder do que ganhar.

Aos que desejavam “vê-lo”, ele mostra a sua verdadeira face, uma face que nos perturba, porque é aquela de alguém que exige generosidade total como a sua. Diante dessa exigência, provavelmente sejamos tentados a nos inclinar para uma religião que limite a recitar algumas orações ou participar de algumas cerimônias. Seguir Cristo não é fácil; vai muito além de cumprir um preceito ou realizar um rito; exige aprender com Ele dar a vida por amor.

Diante disso, Ele também “ficou perturbado”, mas não fugiu, não se escondeu quando chegou a hora; mas, ao contrário, mostrou como grande era o seu amor.

Por: Dom Milton Kenan Jr

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