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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Artigos

Se podes crer…

Faz alguns dias acompanhei a uma pregação muito interessante que versava sobre a passagem descrita no Evangelho de Marcos, em seu capítulo nove, versículos 14 a 29. Recomendo que todos quantos acompanham este artigo façam a leitura desse trecho da Bíblia antes de prosseguir. Trata-se de um momento muito especial na vida de um jovem atormentado há anos pelo mal. 
Jesus havia acabado de se transfigurar diante de Pedro, Tiago e João. Descia com eles do monte quando se deparou com uma multidão ao redor de seus outros nove discípulos e alguns escribas (Mc 9.14). Logo tomou a defesa dos discípulos, querendo saber acerca de quê discutiam com eles (Mc 9.16). E, tomou conhecimento que ali havia um menino possuído por espírito maligno, cujo pai pedia que o expulsassem e não puderam (Mc 9.18c). Jesus se interessou em saber a quanto tempo isso acontecia com o menino, e o pai lhe disse: “desde a infância” (Mc 9.21). Ele explicou a Jesus que tal espírito por vezes lançava seu filho na água e outras mais no fogo, com o intuito de destruí-lo. Por fim, pediu: “mas, se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos” (Mc 9.22). Ao que Jesus lhe disse: “se tu podes crer; tudo é possível ao que crê” (Mc 9.23). E repreendendo o espírito imundo lhe ordenou que saísse dele para não mais retornar (Mc 9.25b).
Ora, interessante a reflexão que o pregador fez acerca desse texto. Inicialmente, verifiquemos que o Mestre assume a proteção dos seus junto aos escribas: “Que é que discutis com eles?” (Mc 9.16). A ideia foi defendê-los na disputa. As questões que se impõem são: Fazemos o mesmo com Jesus quando Ele é ridicularizado em rodas de conversa por aqueles que não O conhecem? Arranjamos para que Ele seja conhecido ou saímos de mansinho? Será que nos envergonhamos de sermos cristãos? 
Noutro trecho, observemos que o pai do menino diz que o espírito “ora lançava seu filho na água ora no fogo”. Pois bem. Por que será que o pai não tomava providências para afastar seu filho de lugares perigosos, já que o mesmo sofria assim desde pequeno? Talvez, mudar-se para longe do rio e distanciá-lo do fogo? Curiosamente, agimos da mesma forma. Ao invés de nos distanciarmos das pedras de tropeço, continuamos a nos desviar delas diuturnamente, favorecendo momentos de queda e erro. Figurativamente, aqui compreendemos bem quando Jesus orientou a cortar fora o membro que nos leva a pecar, atirando-o para longe (Mt 18.8-9). Preferimos nos desviar das pedras que atirá-las bem longe de nós. O pai preferia ver seu filho todo machucado ao invés de remover o que lhe causava dano. Somos ou não somos assim muitas vezes?
Outra importante reflexão diz respeito ao pedido do pai do menino a Jesus: “se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos”; “se tu podes”. E o Mestre logo respondeu: “se tu podes crer”! Ora ora que lavada! Será que podemos acreditar que Jesus tem poder para curar nossas enfermidades, restaurar nossa vida, perdoar nossos pecados? “Se tu podes crer; tudo é possível ao que crê”. Mas, será que podemos crer?
Esse é o desafio para todo aquele que se diz crente: Crer! Não basta dizer: Senhor, Senhor! (Mt 7.21a). É preciso fazer a vontade de Deus. E qual é essa vontade? É que possamos amá-lo de todo coração, alma e entendimento; aproximarmo-nos Dele; e sermos obedientes, assim como Jesus Cristo o foi (Mt 22.37; Tg 4.8; Jo 6.38). Agindo assim, o Mestre poderá operar maravilhas também em nós, afastando-nos e protegendo-nos do mal. Felizes os que ouvem a palavra de Deus, e a observam (Lc 11.28).
 
Maria Regina Canhos (e.mail: mariaregina.canhos@gmail.com) é escritora.

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