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SE EU FOSSE
Bom Dia Barretos.
Se eu fosse deputado federal na atual legislatura, proporia eleições municipais de seis em seis meses. Sei que muitos diriam que eu perdi o juízo propondo eleições com tal frequência. Mas eu explico e tenho certeza de que você vai concordar comigo.
Quando chegam os últimos seis meses de mandato e, portanto se avizinham as eleições, vemos que os administradores demonstram uma agilidade de fazer inveja aos outros três anos e meio. Os buracos das ruas são tampados, o mato é cortado. Os entulhos são recolhidos, a merenda escolar ganha em qualidade e quantidade, a iluminação pública melhora, as lâmpadas queimadas são substituídas, os exames solicitados na saúde, como que por milagre acabam sendo realizados, enquanto a educação torna-se prioridade não só nas palavras, mas também nas ações.
Jovens de ambos os sexos são contratados e de porta em porta solícitos, até levam as reivindicações, que por milagre, muitas acabam sendo atendidas em troca da promessa de votos. Pessoas são contratadas, as gráficas trabalham a todo vapor, até o comércio apresenta um ganho extra. Confecções de placas, bandeiras, camisetas para os cabos eleitorais, grupos de marqueteiros, fotógrafos, radialistas e jornalistas são mobilizados aos borbotões.
Porém, terminada as eleições, tudo volta como dantes e a população fica com um gosto amargo na boca, percebendo que, mais uma vez tudo não passou de um belo sonho, sonho de uma noite de verão.
Caro amigo, percebeu porque seria revolucionário o novo sistema? Nem acabava uma eleição e os governantes já estariam preparando a outra eleição e então teríamos permanentemente nossas ruas recapeadas, os postinhos com médicos e remédios não faltariam, enquanto o desemprego daria uma folga e todos nós seríamos felizes.
Alguém poderia argumentar: – Mas o erário público, quer dizer os cofres públicos suportariam tantos gastos? Posso lhes garantir que seria muito menor que os prejuízos causados por obras mal planejadas, pior executadas, quando não inacabadas.
Bem, meus amigos, perdoem-me pela brincadeira, não podemos ter eleições a cada seis meses, mas espero que tal historieta possa fazer os nossos administradores olharem com mais responsabilidade pelas necessidades de nosso povo e de nossas cidades. Claro que o administrador tem que planejar, e que o planejamento deve ser para todo o período do mandato, daí a estranheza da preocupação com obras nos últimos meses, só para justificar a reeleição ou a eleição de um apaniguado.
As chuvas estão chegando, e não vejo nenhuma preocupação dos administradores com os buracos que tomam conta de várias ruas, e que no período chuvoso se transformarão em crateras. As sarjetas cheias de terra transformam-se em locais perfeitos para o crescimento de mato a atestar a falta de cuidado com a cidade. A volta das nuvens de Aedes aegypti invadindo a cidade prognosticam recidiva da epidemia de dengue, bem como de Chikungunya e Zika.
Tudo está sendo desenhando no horizonte, enquanto a inércia persiste. Diante disso, ouso perguntar: Se as eleições ainda fossem em quinze de novembro, estaríamos por acaso, diante de tal marasmo administrativo? A resposta fica por conta dos nossos ouvintes e leitores. Bom final de semana a todos.
BOM DIA BARRETOS.