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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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SAÚDE

Botulismo

O botulismo é uma doença neuroparalítica grave, rara, não contagiosa, causada pela ação de uma potente toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum (C. botulinum). O agente etiológico entra no organismo por meio de ferimentos ou pela ingestão de alimentos contaminados que não têm produção e/ou conservação adequada. Sua notificação é compulsória e imediata (em até 24 horas) para que as ações de vigilância sejam realizadas em tempo de prevenir outros casos. A doença pode levar à morte por paralisia da musculatura respiratória.

Importante: Todas as formas de botulismo podem matar, se não tratadas adequadamente, e são consideradas emergências médica e de saúde pública. Por isso, a presença de qualquer sintoma é essencial procurar ajuda médica imediata. No Brasil, a maioria dos casos notificados está diretamente relacionado à contaminação alimentar.

Transmissão

A bactéria causadora do botulismo produz uma toxina que, mesmo se ingerida em pouquíssima quantidade, pode causar envenenamento grave em questão de horas. Além disso, os esporos desta bactéria são amplamente distribuídos na natureza, como em solos e sedimentos de lagos e mares, podendo sobreviver até em ambientes com pouco oxigênio, como em alimentos em conserva ou enlatados.

Também estão presentes na água não tratada e em produtos agrícolas, como legumes, vegetal e mel, e em intestinos de mamíferos, peixes e vísceras de crustáceos.

As principais formas de transmissão incluem o botulismo alimentar, que ocorre pela ingestão de toxinas presentes em alimentos contaminados e produzidos ou conservados de maneira inadequada. Os alimentos mais comumente envolvidos são conservas vegetais, principalmente as artesanais (palmito, picles, pequi); produtos cárneos cozidos, curados e defumados de forma artesanal (salsicha, presunto, carne frita conservada em gordura – “carne de lata”); pescados defumados, salgados e fermentados; queijos e pasta de queijos e, raramente, alimentos enlatados industrializados. O período de incubação, entre o consumo e o início dos sinais e sintomas, pode variar de 2 horas a 10 dias, com média de 12 a 36 horas. Quanto maior a concentração de toxina no alimento ingerido, menor o período de incubação.

No botulismo intestinal, os esporos contidos em alimentos contaminados tornam-se viáveis, fixam-se e multiplicam-se no intestino, onde ocorre a produção e absorção da toxina. Em adultos, são descritos fatores de risco como cirurgias intestinais, Doença de Crohn e/ou uso prolongado de antibióticos, que alteram a microbiota intestinal. Não se sabe o período de incubação desse tipo da doença, pois é impossível determinar o momento da ingestão dos esporos.

O botulismo infantil é uma forma de ocorrência intestinal mais frequente em crianças com idade entre 3 e 26 semanas, tendo como uma das principais causas o consumo de mel de abelha nas primeiras semanas de vida. Casos já foram notificados na Ásia, Austrália, Europa, América do Norte e América do Sul. A incidência e a distribuição real não são precisas porque os profissionais de saúde, em poucas ocasiões, suspeitam de botulismo. A doença pode ser responsável por 5% dos casos de morte súbita em lactentes.

O botulismo por ferimentos é uma das formas mais raras e é causado pela contaminação de ferimentos com C. botulinum. As principais portas de entrada para os esporos são úlceras crônicas com tecido necrótico, fissuras, esmagamento de membros, ferimentos em áreas profundas mal vascularizadas ou aqueles produzidos por agulhas em usuários de drogas injetáveis e lesões nasais ou sinusais em usuários de drogas inalatórias. O período de incubação pode variar de 4 a 21 dias, com média de 7 dias.

O botulismo iatrogênico é raro e pode acontecer após o uso de toxina botulínica tipo A em procedimentos estéticos ou terapêuticos, quando aplicada em dose ou concentração inadequada. Nos procedimentos, a toxina é purificada e diluída, sendo aplicada em ambiente médico por profissional habilitado. Normalmente o procedimento é seguro, mas, em alguns casos, podem ocorrer efeitos colaterais. Os sinais e sintomas podem surgir poucas horas ou até semanas após a aplicação.

Importante: Embora raros, há descrição de casos de botulismo acidental associados ao uso terapêutico ou estético da toxina botulínica e à manipulação de material contaminado em laboratório, por transmissão pela via inalatória ou contato com a conjuntiva.

Complicações

A toxina botulínica afeta o controle motor e, por essa razão, pode levar a diversas complicações. Ela pode causar insuficiência respiratória, que, no geral, é a forma mais comum de morte causada por botulismo. Outras complicações incluem dificuldade para falar, dificuldade para engolir, fraqueza de longa duração, fadiga, pneumonia por aspiração e infecção, além de problemas no sistema nervoso em geral.

Importante: O tratamento imediato do botulismo reduz significativamente o risco de morte do paciente, mas é preciso acompanhamento médico, frequentemente hospitalar. Além disso, o processo de recuperação é lento e depende de como o organismo reage ao tratamento. Se identificado e tratado adequadamente, a doença tem cura e não deixa sequelas.

Diagnóstico

O processo de diagnóstico do botulismo geralmente começa com um exame físico realizado pelo médico. Nesta consulta, o profissional poderá solicitar exames neurológicos, de imagem e laboratoriais para completar a investigação e confirmar o diagnóstico.

Entre os sinais observados estão ausência ou diminuição dos reflexos do tendão profundo, ausência ou diminuição do reflexo faríngeo, pálpebra caída, retenção urinária com possível incapacidade de urinar, perda da função ou sensibilidade muscular, intestino paralisado e comprometimento da fala.

Também podem ser realizados exames de sangue para identificar a toxina no organismo, exame de fezes e exames laboratoriais no alimento suspeito de conter a bactéria transmissora do botulismo.

Saiba mais sobre os sintomas.

Tratamento

O êxito do tratamento do botulismo está diretamente relacionado à oportunidade com que é iniciado e às condições do local onde será realizado. O tratamento deve ser realizado em unidade hospitalar que disponha de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), tendo em vista que isso diminui as chances de óbito.

Basicamente, o tratamento da doença se baseia em dois conjuntos de ações: tratamento de suporte e tratamento específico, que pode ser consultado em detalhes no Manual Integrado de Vigilância Epidemiológica do Botulismo.

O tratamento de suporte consiste em medidas gerais de suporte e monitorização cardiorrespiratória, consideradas as condutas mais importantes no tratamento do botulismo.

O tratamento específico visa eliminar a toxina circulante e a sua fonte de produção, o C. botulinum, por meio do uso do soro antibotulínico (SAB) e de antibióticos.

O Soro Antibotulínico é fornecido exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mediante a notificação do caso suspeito em ficha específica.

Antes de iniciar o tratamento específico com SAB, todas as amostras clínicas para exames diagnósticos devem ser coletadas.

Prevenção

A melhor prevenção está nos cuidados com o preparo, consumo, distribuição e comercialização de alimentos, além da higiene dos alimentos e das mãos. Toda atenção é pouca, por isso é importante não consumir alimentos em conserva que estiverem em latas estufadas, vidros embaçados, embalagens danificadas, vencidas ou com alterações no cheiro e no aspecto. Também é fundamental lavar sempre as mãos.

O preparo de conservas caseiras deve obedecer rigorosamente aos cuidados de higiene e armazenamento. Da mesma forma, é importante certificar-se de que essas medidas foram adotadas pelo estabelecimento ou vendedor que preparou o alimento.

O mel é um dos alimentos mais perigosos, especialmente para crianças menores de 2 anos, pois há risco de conter esporos da bactéria do botulismo, conforme o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos. Nessa faixa etária, a microbiota intestinal ainda está em adaptação aos novos alimentos, o que pode favorecer o desenvolvimento de quadros graves da doença.

O aquecimento dos alimentos pode eliminar as toxinas do botulismo com o cozimento por 10 minutos em temperatura acima de 80ºC.

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Asma

Asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns, juntamente com a rinite alérgica e a doença pulmonar obstrutiva crônica. As principais características dessa doença pulmonar são dificuldade de respirar, chiado e aperto no peito, respiração curta e rápida. Os sintomas pioram à noite e nas primeiras horas da manhã ou em resposta à prática de exercícios físicos, à exposição a alérgenos, à poluição ambiental e a mudanças climáticas.

Vários fatores ambientais e genéticos podem gerar ou agravar a asma. Entre os aspectos ambientais estão a exposição à poeira e barata, aos ácaros e fungos, às variações climáticas e infecções virais (especialmente o vírus sincicial respiratório e rinovírus, principais agentes causadores de pneumonia e resfriado, respectivamente). Para os fatores genéticos, característicos da própria pessoa, destacam-se o histórico familiar de asma ou rinite e obesidade, tendo em vista que pessoas com sobrepeso têm mais facilidade de desencadear processos inflamatórios, como a asma.

A doença pode ser controlada e o Sistema Único de Saúde (SUS) oferta o tratamento. Para isso, a orientação é que o paciente procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Lá, o profissional de saúde terá todas as orientações relacionadas ao tratamento e à prevenção de crises, o que inclui entender os sintomas e sinais de agravamento da doença.

Asma tem cura?

A asma não tem cura, mas com o tratamento adequado os sintomas podem melhorar e até mesmo desaparecer ao longo do tempo. Por isso, é fundamental fazer acompanhamento médico correto e constante. A maioria das pessoas com asma pode levar uma vida absolutamente normal.

Asma pode matar?

Sim, a asma pode matar em casos extremos e raríssimos. Quando a crise está muito intensa e não é feito o tratamento correto, a asma pode levar à morte. Se a pessoa tiver alguma outra complicação clínica (problema de saúde), o corpo pode ficar ainda mais debilitado. No surgimento dos primeiros sintomas, procure um médico imediatamente.

Sintomas:

Observação: A asma tem sintomas bem característicos, mas alguns deles podem ser confundidos com os de outras doenças. Para um diagnóstico adequado ou seguro, o ideal é procurar um profissional de saúde assim que sentir qualquer desconforto.

Os principais sintomas são tosse seca, chiado no peito, dificuldade para respirar, respiração rápida e curta, desconforto torácico e ansiedade.

Fatores de risco

Os fatores de risco podem ser divididos em ambientais e próprios do paciente, como é o caso dos aspectos genéticos, obesidade e sexo masculino (durante a infância). Os fatores ambientais são representados pela exposição à poeira, infecções virais, alérgenos como ácaros, pólen, pelo de animais, fumaça de cigarro, irritantes químicos e poluição ambiental, mudanças climáticas, exercícios físicos vigorosos, estresse emocional e até mesmo alguns tipos de medicamentos.

Quando não houver como evitar a exposição, o paciente pode seguir alguns cuidados, como evitar atividades físicas ao ar livre, especialmente em dias frios; evitar baixa umidade ou exposição em dias com muita poluição; não fumar e evitar ambientes fechados com pessoas fumando.

Possíveis complicações:

A asma pode desencadear uma série de processos que podem resultar em complicações, algumas graves. As principais complicações da asma são capacidade reduzida de se exercitar ou fazer outras atividades, insônia, alterações permanentes no funcionamento dos pulmões, tosse persistente, dificuldade para respirar a tal ponto que precise de ajuda (ventilação), hospitalização e internação por ataques severos de asma, efeitos colaterais de medicações usadas para controlar a asma e morte.

Alguns estudos apontam que a redução de peso em pacientes obesos com asma demonstra melhora na função pulmonar, nos sintomas, morbidade e na condição de vida.

Diagnóstico:

O diagnóstico da asma é principalmente clínico, obtido após consulta e avaliação pelo médico, mas também é confirmado pelo exame físico e pelos exames de função pulmonar (espirometria). Sempre que possível, o médico solicitará a prova de função pulmonar para confirmar o diagnóstico e classificar a gravidade de cada caso. Em crianças de até os cinco anos, o diagnóstico é somente clínico, tendo em vista a dificuldade de realizar outros exames funcionais e complementares.

Na consulta, o médico vai perguntar, entre outras coisas, se a pessoa tem ou teve episódios recorrentes de falta de ar e chiado no peito; se já usou broncodilatador oral ou inalatório para aliviar os sintomas; se há episódios de tosse persistente, principalmente à noite e no início da manhã; se acorda com frequência à noite por causa de falta de ar ou acessos de tosse; se nota algum dos sintomas após exposição a mofo, poeira, animais, fumaça de cigarro, perfumes ou após resfriados, riso e choro; e se alguém da família tem ou teve asma, alergias ou outros problemas respiratórios.

O pulmão de uma pessoa asmática é mais sensível, o que faz com que fatores externos, como a poeira, causem falta de ar, o que normalmente não aconteceria em alguém que não tem a doença.

Tratamento:

O objetivo do tratamento da asma é melhorar a qualidade de vida da pessoa, por meio do controle dos sintomas e pela melhora da função pulmonar. O tratamento medicamentoso é realizado junto com medidas educativas e de controle dos fatores que podem provocar a crise asmática.

A definição do tratamento é feita a partir dos sintomas, do histórico clínico e da avaliação funcional conforme cada caso. São utilizados medicamentos para alívio rápido dos sintomas e para manutenção do controle da crise. A base do tratamento da asma persistente é o uso continuado de medicamentos com ação anti-inflamatória, também chamados controladores, sendo os corticosteroides inalatórios (bombinha) os principais. Pode-se associar também medicamentos de alívio, com efeito broncodilatador.

Em todos os casos, é preciso reduzir a exposição aos fatores desencadeantes e agravantes da asma. A cada consulta, o paciente deve receber orientações para o autocuidado, identificação precoce dos sintomas, como proceder em caso de crise, controle e monitoramento da asma, e ser agendado para reconsulta conforme a gravidade apresentada.

O Sistema Único de Saúde (SUS) fornece tratamento gratuito desde 2011 aos asmáticos por meio do Programa Farmácia Popular. Medicamentos como brometo de ipratrópio, dipropionato de beclometasona e sulfato de salbutamol podem ser obtidos gratuitamente com a apresentação do CPF e da receita médica.

Tratamento não medicamentoso:

A educação do paciente é parte fundamental da terapêutica da asma e deve integrar todas as fases do atendimento ambulatorial e hospitalar. Deve-se levar em conta aspectos culturais e abranger aspectos de conhecimento da doença, incluindo medidas para redução da exposição aos fatores desencadeantes e adoção de plano de autocuidado baseado na identificação precoce dos sintomas. A cada consulta, o paciente recebe orientações de autocuidado, plano escrito para exacerbações e reagendamento para nova consulta conforme a gravidade apresentada.

Tratamento medicamentoso:

A base do tratamento da asma persistente é o uso de anti-inflamatório, sendo os corticosteroides inalatórios os principais deles, associados a medicamentos de alívio com efeito broncodilatador. O ajuste da terapêutica visa o uso das menores doses necessárias para a obtenção do controle da doença, com isso reduzindo o potencial de efeitos adversos e os custos.

Prevenção:

A asma é uma inflamação dos brônquios sem uma causa aparente, mas é possível controlar as crises e até prevenir que elas aconteçam com algumas medidas simples.

Mantenha o ambiente limpo. Evite acúmulo de sujeira ou poeira. Tome sol. A vitamina D está relacionada a uma série de doenças do aparelho imunológico, como a asma. Evite cheiros fortes. Tome a vacina da gripe. Não fume. Agasalhe-se, principalmente na época de frio. Pratique atividades físicas regularmente. Tenha alimentação saudável. Beba bastante líquido (água). Mantenha o peso ideal.

 

 

 

 

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