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terça-feira, 05 de março de 2024

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Saúde em Barretos: alerta aos pacientes e aos médicos na “trincheira” do atendimento

A comunidade barretense tem sentido e acusado a piora do atendimento aos pacientes SUS por uma variedade absurda de razões. Esta semana ficou registrado nas redes sociais, queixa de pessoas atendidas na UPA, com indicação de internação na Santa Casa tendo que esperar vaga por mais de 12 hs.
Reportou-se que, em dado momento, não havia ambulâncias para remoção para o hospital, com trejeitos de ser uma falsa e inaceitável justificativa.
A degradação do atendimento atingiu ao ponto de termos uma Santa Casa, que sempre foi um hospital regional, resolutivo e confiável e hoje ficar na condição absurda de não conseguir acudir seus próprios “donos”, que é a população do município como um todo.
Um hospital que há 5 anos tinha 330 leitos, está hoje insuficiente para acolher a própria cidade, certamente com vagas que foram irresponsavelmente reduzidas.
Difícil saber o porque de não ter havido vagas. Se pela redução esdrúxula de leitos ou por se tratar de meras manobras com objetivo de reduzir a função do hospital ao gosto de um gerenciamento tipo monopólio que visa o interesse particular de uma faculdade de medicina. Pior: em detrimento do interesse maior da cidade e região.
A verdade é que um eixo administrativo só com leigos em medicina no comando explica a péssima qualidade da assistência oferecida ao povo mais carente. Eixo que tem Prefeita não médica, Secretário da Saúde, também não médico, gestor geral do monopólio que, além de não ser médico, manda em toda a estrutura técnica, atropelando seus assessores médicos que “nada apitam” mesmo enxergando aberrações na administração da saúde. E a Sra. Prefeita meramente assiste…
Com o detalhe de colocar um enfermeiro como gerente geral da Santa Casa, em contraste com a modernidade que coloca figuras com nível superior de gestão hospitalar.
O resultado não poderia ser outro: índice de mortalidade “não esperada” que assusta a quem tem as informações, cirurgias eletivas excessivamente acumuladas e em fila de espera. Aliás, aqui há o detalhe da falta de anestesistas, falta de cirurgiões gabaritados e a falta de consentimento pelos pacientes, hoje sabedores do risco de se internarem nessa desfigurada entidade de tantas tradições e bons serviços prestados.
Para piorar, cada vez mais clara a ideia “maluca” do gestor do monopólio insistindo em “esvaziar” a Santa Casa de sua principal função que é assistencial, e favorecer o interesse de apequená-la ao nível de um hospital-escola de baixa condição técnico-educativa, pobre de médicos preceptores e titulados, na maioria das especialidades.
Um alerta que se oferece aos médicos que são “atirados” ao atendimento, com notórias posturas que denotam perícia insuficiente, é que uma hora poderão acontecer imputações de erros profissionais, em que estarão totalmente desprotegidos por se conhecer o perfil do gestor de empurrar as dificuldades para seus serviçais, sem a correta e leal defesa dos que chama de “colaboradores”.
É incrível a desfaçatez de um sujeito enfraquecer politicamente uma cidade polo de região, transferir claramente benesses para cidade vizinha, com total conivência das autoridades e personalidades políticas de Barretos.
Vai a invocação final para que se tenha o devido brio de não ferir toda uma cidade, suas instituições e seu povo, tendo como objetivo meramente o interesse pessoal ou familiar.
Se o silêncio impera, fica a impressão de que tudo está bem mas, na realidade, estamos próximos do caos e a verdade tem que vir à tona.

 

 

 

 

 

Dr Fauze José Daher
Médico/Cirurgião Ex Diretor
Clínico da Santa Casa
Ex Presid. Assoc. Paulista
de Medicina – Reg. de Barretos
Ex Vereador Constituinte (1992)
Advogado

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