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terça-feira, 08 de novembro de 2016

Artigos

Saudade

Está aí uma palavrinha que na verdade é um palavrão no sentido amplo do termo. Vale dizer que é rica em significados dada tantas realidades que esta possa manifestar nos mais diversos tons de vozes, nas inúmeras expressões físicas como o olhar ou o abraçar, ou, ainda, no interior do coração acompanhado pelo palco da razão e as manifestações dos sentimentos. 
Nenhuma outra nação soube exprimir tão ricamente o significado deste termo como a brasileira. Uma riqueza tal que até dificulta uma conceituação sinônima que a explique. 
Alguns dizem que a raiz da saudade é a solidão (do latim solitate), outros dizem que é “um sentimento melancólico causado pela ausência ou pelo desaparecimento de pessoas ou coisas a que se estava afetivamente ligado, pelo afastamento de um lugar ou de uma época, ou pela privação de experiências agradáveis vividas anteriormente” (Infopêdia). 
Acredito que ninguém melhor que o compositor Chico Buarque soube “desenhar” a saudade por meio da canção “pedaço de mim”. Afirmando-a ser um “pedaço” seu, a saudade é entendida como sendo sua “metade”, “afastada, exilada, arrancada, amputada e adorada”. E entre tantas analogias exprimidas na canção, diz que a “saudade é o revés de um parto… é arrumar o quarto do filho que já morreu”. E conclui: “a saudade é o pior castigo e eu não quero levar comigo a mortalha do amor. Adeus”. 
Uma coisa é certa: saudade será sempre saudade, a não ser que alguém a mate. Pois morrendo a saudade, nasce a felicidade.  Esta, por sua vez, é a alegria do encontro, onde a solidão da ausência é preenchida pela presença daquele “pedaço de mim”.
 
Pe. Ronaldo Miguel
Mestrando em Roma

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