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segunda-feira, 04 de março de 2024

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São José, Esposo da Virgem Maria Patrono da Igreja

Hoje a Igreja nos convida a nos alegrar pensando nas graças que São José recebeu de Deus. São graças maravilhosas e que estão resumidas nas palavras do anjo: ser esposo de Maria, impor o nome a Jesus e ter a responsabilidade de pai de Jesus (Mt 1,16.18-21.24). Causa admiração essas graças recebidas por São José porque elas consistem em viver intimamente unido a Jesus e a Maria. Foi essa graça que o sustentou nos momentos de prova e de dor.
José é exemplo para todos os pais e educadores, pois, mesmo que não seja o pai biológico de Jesus, o seu amor por Ele é autenticamente paterno. Tanto que Jesus, quando ensinou os discípulos a rezar, usou uma palavra que Ele aplicou muitas vezes a José: Abbá!
A imensa felicidade de José, porém, está estreitamente ligada a uma renúncia tão grande que não pode ser realizada sem a fé e a graça de Deus.
José estava numa situação estranha: Maria era sua e, ao mesmo tempo, não era. Por isso, José tinha tomado a decisão de renunciar a Maria e consequentemente a Jesus. Essa renúncia de José mostra como a renúncia feita por amor não destrói o amor, antes o eleva. O amor de José não busca o próprio interesse e satisfações, mas se põe inteiramente ao serviço da pessoa amada. O amor de José por Maria o leva a se colocar a serviço da vocação de Maria e assim alcança com ela uma união espiritual admirável que é fonte de grande e pura alegria.
O amor de José faz com que se coloque a serviço da vocação de Jesus e de sua missão. José não é como aqueles pais que consideram os filhos como sua propriedade, que nutrem pelos filhos um afeto tirânico e possessivo. José sabe muito bem que Jesus não lhe pertence e deseja somente prepará-lo para sua missão de salvador, como o anjo tinha lhe anunciado: “Ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”.
O evangelho diz que José era justo, ou seja, um homem que buscava sinceramente fazer a vontade de Deus. José buscou sempre a vontade de Deus, mesmo naquela situação em que a sua felicidade lhe parecia destinada ao fracasso. Sendo a sua felicidade ter Maria por esposa, constando que o que fora gerado nela provinha do Espírito Santo, decidiu renunciar à sua felicidade para fazer a vontade de Deus. Foi nesse momento da renúncia que Deus lhe revela a sua missão de esposo de Maria e de pai adotivo de Jesus.
Peçamos a Deus a mesma fé, a mesma confiança, a mesma generosidade e pureza de amor para nós e para todos os que detêm responsabilidade na Igreja.
“São José renunciou à paternidade da carne e, ainda assim, encontrou-a no espírito, como pai adotivo de Nosso Senhor Jesus. Maria renunciou à maternidade, e ainda assim encontrou-a em sua virgindade, assim como a luz não quebra a janela ao entrar em uma casa, a luz da Divina Misericórdia entrou na vida deste casal conservando a integridade da pureza de coração, não só permitindo ver a Deus, mas o recebendo como membro de sua família” (Venerável Arcebispo Fulton Sheen, O Primeiro Amor do Mundo).

 

 

 

Dom Julio Endi Akamine
é arcebispo metropolitano
da Arquidiocese de Sorocaba

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