quarta-feira, 02 de dezembro de 2020

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Santa Casa: qualidade rebaixada e as acusações de gestores

  Barretense vive momento de estar em meio a um “tiroteio” de gestores se acusando do uso de recursos públicos aplicados na saúde, particularmente em atendimento à população. Vai desde a rede de ambulatórios (postinhos) até o atendimento hospitalar (Santa Casa).
Agrava o debate o fato de que o recurso tem vindo com a devida fartura e necessidade e a discussão está focada na sua destinação. No polo da discussão, prefeito Guilherme Ávila e gestor Henrique Prata da Fundação Pio XII. No meio da peleja, a população que é dona do patrimônio que está sendo usado e está, absurdamente, sofrendo com a perda de qualidade do atendimento na Santa Casa.
Pior ainda: péssimo exemplo de manejo da pandemia de COVID19 colocando nossa região como a pior do Estado de São Paulo.
É urgente a necessidade de correr atrás de melhorar o gerenciamento da pandemia por um comitê que consiga melhores resultados: o atual não é do conhecimento da população, negando a ela o direito natural de saber quem são os profissionais que dão a orientação do controle. Fica parecendo que quem manda é o gestor Henrique Prata que absolutamente é incompetente para delinear o rumo técnico da gestão da doença.
Resultado disso: Santa Casa com qualidade rebaixada, como nunca da história, e COVID ainda não “dominado”, abaixo do nível das outras regiões.
Outra providência urgente é a das autoridades fiscalizadoras do uso desses recursos, que é o Ministério Público, desde que não esteja submetido a conflitos de interesses, quando, então, a Procuradoria do Estado terá o condão de investigar o uso de verbas e a qualidade do atendimento.
Afinal, é recurso público da Prefeitura, do Estado de São Paulo e do Governo Federal, transitando com entidade que é uma Fundação Privada que também explora ensino médico e que, segundo o Prefeito, faz uso da estrutura pública sem o devido ressarcimento que é praxe em qualquer lugar semelhante. Isso se reveste de gravidade porque parcerias público/privadas tem que ser objeto de fiscalização rigorosa.
O grande paradoxo: o povo, que é dono do patrimônio e paga para ser bem cuidado, estar a assistir esse desfile de desentendimentos em área básica de qualquer governo, que é o atendimento integral à saúde do cidadão.
Na cabeça do leitor, saltará o pensamento: teria isso a ver com o momento político-eleitoral na cidade? Duas respostas: quem assina aí em baixo, não é candidato a nada, e nem tem filiação partidária que seria requisito legal para pleitear candidatura.
Outra resposta: é o momento exato de cobrar de todos os candidatos a prefeito a visão que têm do problema, e o compromisso de correção dessa grave situação. Aliás, um contrato de cessão de uso da Santa Casa por 30 anos é “estratosférico”, além de aberração jurídico/político/administrativa, sendo importante levar também essa questão à Procuradoria Geraldo Estado, uma vez que tal irracionalidade teve endosso da Promotoria Pública de Barretos.
Ficarmos de olho em candidatos com campanha fomentada exatamente por figuras que exploram a Santa Casa e demais próprios da municipalidade. Isso estaria existindo? Se não está, poderá acontecer, com toda certeza.
Finalizando, quero justificar esse alerta, por conta de ser um barretense que nasceu na Santa Casa, com filhos e netos que também ali nasceram, nela trabalhando há 44 anos, com diversos momentos de apoio técnico e político à sua qualificação.
É uma palavra de cidadão de Barretos, feliz e honrado pelo título de Cidadão Benemérito concedido pela nossa Casa de Leis, torcendo pelo bem da população explorada. Jamais pela exploradora.
É preciso clarear as coisas…

Dr. Fauze José Daher
Gastro Cirurgião da Santa Casa de Barretos
ex Diretor Clínico da S. Casa, ex Presidente da Associação Paulista de Medicina – Reg. de Barretos
Advogado

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