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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

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Santa Casa: qualidade em queda livre, esvaziamento da capacidade e o que é preciso ser feito

A presença de um corpo clínico com profissionais médicos inexperientes, sem qualificação pós-graduada, sem competência para ensinar e, o mais grave, sem poder de resolver a situação dos pacientes, caso a caso, atendidos nas diversas áreas, já não é mais possível esconder.
A enfermagem (paramédicos) sofrendo pressão para aceitar imposições típicas de monopólio, de condições absurdas para continuar trabalhando em paz, com tranquilidade e estabilidade, vem abalar a outra parte fundamental para um serviço sagrado de doença/saúde que é o corpo de enfermagem.
Cinco anos de queda dessas qualidades, em que só agora o povo enxerga aquilo que era difícil de perceber, mesmo com alertas feitos ao longo desse período.
Hoje estamos num ponto em que a Santa Casa foi levada a diminuir frontalmente sua missão tradicional, antes um Hospital Regional, agora abusivamente transformada em hospital escola, ao interesse de um gestor, traindo o interesse do povo atendido, como também do estudante de medicina que é naturalmente incapaz de enxergar o quanto estão deixando de aprender. Virou meramente um hospital de segunda linha e, paradoxalmente, rotulado de hospital escola.
Mais ainda, a responsabilidade colocada nas costas do aprendiz, que só no futuro lhe será possível aquilatar, ficando hoje na condição de não saberem o quanto lhes tem sido sonegado em termos de volume e qualidade de ensino.
Falta corpo docente suficiente, sério e digno, para um ensino mínimo da difícil arte de curar. Uma faculdade de medicina, com mais de 40 áreas de especialidades, necessita de 5 profissionais comandando o ensino, em cada área, que são Professor Titular, Assistentes Seniores, Preceptores, Tutores e Monitores de ensino. E o que vê aqui está muito longe disso.
Soma-se algo que passa desapercebido. Os pais dos estudantes de medicina, na fé de virem seus filhos com formação gabaritada, não percebem a realidade do que está sendo oferecido e praticado pela referida escola. Não merecem navegarem na confiança e na boa fé de esperarem que o melhor deveria ser oferecido. E não está.
O que é preciso para solucionar essa complexa situação, tornada mais ainda pela forma irresponsável, amadora e desfocada como tem acontecido, muito longe do que é típico de um hospital escola qualificado.
Da parte do Sr. gestor: devolva a Santa Casa que foi assumida de surpresa, com legalidade discutível (cessão de uso por 30 anos !!), sem licitação, com história não convincente e com os péssimos resultados à saúde da população SUS, seu verdadeiro dono.
Caso não queira devolver, que a Prefeita tome de volta, valendo-se do poder de império que é típico da gestão pública. Razões para isso há de sobra. O Sr. gestor tem poder financeiro para construir o Hospital Universitário de sua faculdade particular, contratar um quadro de Docentes próprios de uma faculdade de medicina, capaz de dar qualidade e atrair clientela que confie numa boa estrutura ASSISTENCIAL com verdadeira ciência e tecnologia e segurança para o paciente atendido.
Que seja a Santa Casa, então retomada pela Prefeitura, encampada pelo Governo do Estado e refeita na qualidade de oferta de serviços médicos e cirúrgicos, ao nível do que possuía, e do que existe modernamente.
Somente assim, é possível recompor o Corpo Clínico com profissionais existentes no mercado, já qualificados e agregando novos profissionais especialistas e adequados para tratar dos pacientes com dignidade.
O que se vê no momento, é o uso de entidade pública, para interesse particular, com pobreza no ensino e na qualidade do tratamento com graves prejuízos aos menos favorecidos clientes SUS. Mais a absurda passividade das autoridades.

 

 

 

 

Dr. Fauze José Daher
Médico Cirurgião e Ex Diretor
Clínico da S. Casa Ex Presidente
da Associação Paulista de
Medicina – Reg de Barretos e Advogado

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