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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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Santa Casa: “inauguração” de 10 leitos (Sala de Emergência) já existentes há 10 anos

Após 5 anos de uso da Santa Casa, o gestor Henrique Prata estampa em primeira página dos jornais da cidade, reforma de um ambiente do hospital que já existia há 10 anos, com esse mesmo número de leitos.
E falando em leitos da Santa Casa é importante observar que quando o Sr. gestor assumiu, reduziu o número de leitos de 330 leitos para 176, em nome de economizar custeio dos serviços, quando o atendimento já se encontrava próximo de colapsar pela demanda de casos de toda a região.
Na recente pandemia de COVID19, ficou público e notório o péssimo desempenho do atendimento, especificamente em Barretos, em que dois pontos ficaram evidentes: colapso de atendimento por falta de leitos, publicamente anunciado aflitivamente pelo assessor médico do referido gestor. Ao invés de repor o número original de leitos, fez um tímido acréscimo de 176 para 200, a despeito do montante de recursos vindos acima de 100 milhões de reais, sem contar as verbas de custeio próprias da Emergência.
O outro ponto de observação é a discrepância (e incoerência) do volumoso recurso Federal/Estadual com “pobreza” de acomodações e conduta no atendimento das pessoas que delas precisaram.
O que assusta é o ufanismo do anúncio desses 10 leitos reformados e reinaugurados, que não pode ser usado como pretexto (leia-se, cortina de fumaça) para acobertar uma realidade que não dá para esconder.
Senão, vejamos:

1) A Santa Casa continua desprovida de um Corpo Clínico da qualidade e dignidade que sempre teve ao longo de 100 anos de sua história, tendo como consequência maus resultados no atendimento à clientela SUS e conveniada;

2) Enorme demanda reprimida de cirurgias eletivas com retardo de condutas nas emergências clínicas e cirúrgicas;

3) Exploração da entidade como Hospital Escola, com promiscuidade de uso de verbas oficiais numa atividade que envolve interesse privado de uma faculdade particular;

4) Absurdo convênio de 30 anos de concessão do uso, irresponsavelmente assumido por prefeito anterior e coniventemente anuído pela atual prefeita, sob as “barbas” do ente estatal (leia-se Ministério Público) que endossou o documento firmado para essa estranha cessão de uso de um bem público;

5) Tem-se agora uma renovada sala de cuidados de emergência que, por obrigatoriedade das normas de saúde pública, SEMPRE EXISTIU, mas que continua com as portas de entrada da EMERGÊNCIA fechada ao livre acesso (nome oficial: LIVRE DEMANDA) por aquela que é verdadeira dona: a população SUS de Barretos;

6) Detalhando: o cidadão é OBRIGADO A IR À UPA ou passar pelo “crivo” do SAMU para ter a sua entrada admitida no Serviço de Emergência sendo barrado na porta por alguém (eventualmente médico/a) e com isso afrontando Resolução específica do Conselho Federal de Medicina;

7) Lembrando (sempre) que UPA não é considerada, tecnicamente (e por regra escrita) um serviço de emergência exatamente por NÃO ESTAR ANEXADA A UM HOSPITAL;

Impressiona como uma figura leiga em Medicina, dominando um monopólio de saúde publica, impõe normas impróprias ao direito do cidadão colocando autoridades e profissionais médicos curvados ao que não é bom para a coletividade.
Por fim, permanece uma situação de insatisfação por retardo de conduta, demanda reprimida, cirurgias complicadas e sem definitivas resoluções, fugindo de um padrão sempre exercido há mais de 50 anos.
O barretense merece mais qualidade com segurança antes que a “barulheira” de acanhadas inaugurações que somente servem para camuflar a verdade.

 

Dr. Fauze José Daher
Gastro Cirurgião e Endoscopista
ex Diretor Clinico da Santa Casa de Barretos
ex Presidente da Assoc. Paulista de Medicina – Reg. Barretos

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