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segunda-feira, 04 de março de 2024

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Santa casa impede visita de médico de fora a parente internado: grave falha ética, técnica, legal e humanitária da direção

A Santa Casa aprofunda vícios funcionais a cada dia, provocando insatisfações que abrangem médicos, funcionários e, principalmente, aos pacientes internados e usuários dos ambulatórios.
Não bastasse o ilegal e insensato fechamento de portas do Pronto Socorro da Santa Casa, exigindo encaminhamento prévio de outros postos de atendimento (ex. UPA), a cada instante aparecem queixas que beiram ao absurdo.
Fim de semana recebi queixa de um colega oncologista gabaritado que mudou de Barretos para o refinado centro médico de Ribeirão Preto, onde tem lugar de destaque profissional.
Pois bem, o “pedido de socorro” telefônico a mim deu-se pelo fato do colega ter sido barrado na porta da Santa Casa, dificultado de visitar o sogro internado na UTI, em estado clinicamente delicado, nem detalhar informações sobre o caso.
Ao se identificar dando credenciais de ter sido membro gabaritado do Hospital de Câncer de Barretos, as dificuldades para o seu acesso se delongaram de forma inaceitável.
Isso é um absurdo ético, técnico, ilegal e grosseiro (acima de tudo) e revestido da total falta de humanidade que uma pessoa humana pode defrontar. Não se trata aqui, de forma alguma, pelo fato de ser um médico e nem do parentesco com o mesmo.
As normas de Portaria do Ministério da Saúde No. 1.820/2009 impõe a qualquer hospital prestador, PÚBLICO OU PRIVADO, o direito de familiares de visitarem, receberem informações, examinarem os prontuários, oferecerem abordagem a outro profissional de confiança para se inteirar do caso, sendo proibitivo impedir que uma segunda opinião ocorra.
ISSO É UM DIREITO UNIVERSAL E PRATICADO em todos os hospitais do Brasil que prezam pelo bom senso e preservação da dignidade do cidadão.
A abertura a visitas e o estabelecimento de uma junta médica é tão antiga, adequada e correta que essa vedação leva à necessidade de se examinar a verdadeira razão dessa conduta estranha. Principalmente num meio que precisa do máximo de transparência que, assim acontecendo, parece pretender-se ocultar.
Denegar esse direito é dos mais elementares desrespeitos que maculam a imagem da instituição e de sua administração colocando-a em nível extremamente rasteiro. E é o acontece TODOS OS DIAS.
Tal aberração certamente resvala no Corpo Clínico, que deveria sentir-se mal diante desse tipo de ORDEM DA DIREÇÃO para impedir regras garantidas em normas com efeito legal.
Mais ainda, com a performance técnica da Santa Casa estando abalada deste a gestão desse monopólio ocupado pela Fundação Pio XII já há 6 anos ou mais de duração.
O que pude fazer foi sugerir ao colega, então, aflito pela situação familiar, a denúncia ao CREMESP (em âmbito do mesmo onde não exista conflito de interesse) e notificar também o Ministério Público que, infelizmente, tem exigido apresentações de “casos concretos” sem o que se posta inerte perante o que a cidade inteira tem assistido e “vivido” por um longo período.
Se denúncias públicas de situações irregulares e ilegais têm sido insuficientes para DESPERTAR O INTERESSE de quem é pago para defender o direito individual do cidadão, ora transformado em lesão coletiva pelo volume de casos, o Conselho Superior do Ministério Público Estadual certamente será acionado para providências adequadas ao resgate de vidas e de bons atendimentos no tradicional Hospital e na rede de saúde.
Quem sabe a carência da obrigação profissional, do bom senso e usuário do RÓTULO DE AMOR possam efetivamente se resumir em pelo menos um gesto da verdadeira Medicina.
Para uma Prefeita, como mais alta mandatária nessa área ou questão, os limites da TOLERÂNCIA E DA PACIÊNCIA, há tempo, já deveriam estar extrapolados.

 

Dr. Fauze José Daher Gastro-cirurgião e ex-Diretor Clínico da Santa Casa de Barretos, ex-Presidente da Assoc. Paulista de Medicina de Barretos e
Advogado

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