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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Santa Casa: festival de incoerências, rebaixamento absurdo da qualidade, usada como “modelo” de ensino médico e com exposição injusta da população

Se há uma questão que não pode ser aceita pela inteligência e pelo bom senso humano, são notícias que não se coadunam com a realidade e a pura verdade.
Se existe um batalhão de pessoas que admitem o ditado “me engana que eu gosto”, não poderia ler uma manchete e matéria de jornal local com depoimentos que chegam a arrepiar as pessoas ciosas pela verdade, motivo pelo qual trago essas reflexões.
Não se pode aceitar passivamente tamanhas “reclamações ao fechar as contas da Santa Casa”, depois de promover a degradação do atendimento em nosso maior hospital policlínico e o único público da região.
Vejamos:
– após 8 anos de intervenção pela Prefeitura e 5 anos de concessão de uso ao Sr. Henrique Prata, o que era dívida de 64 milhões de reais (noticiado pelo então provedor Sr. Renato Peghin) não contestado pelos antigos mesários que incluem pessoas que faziam parte daquela Mesa Administrativa (casos dos empresários Srs Geovane Barroti e Renato Reis), braços de apoio do atual gestor e que falam abertamente em nome da Santa Casa.
– claramente, o atual provedor, Sr. Henrique Prata concordou com um déficit da época, que era de 400 mil reais mensais, chegando, na ocasião, a nos pedir para ajudar a neutralizar, vindo confessar AGORA, sob a sua batuta, que tem sido de 2,5 milhões mensais; incoerência que precisa ser bem explicada e nunca tendo sido auditada da forma conveniente e correta;
– a incoerência flagrante: reduziu quase a metade de leitos, dispensou enfermagem e para enfermagem qualificada, redução absurda de procedimentos eletivos, e o déficit aumentou em 600 % (?);
– no “pacote” das críticas ao passado, inclui o período inicial de gestão da intervenção (pela Prefeitura) em que um de seus assessores na Fundação Pio XII, Dr. Eduardo Petrov, não por acaso, por 1 ano cuidou da gestão antes de lhe entregar, tentando fazer o melhor;
– a incoerência mais chamativa é a de ter considerado médicos e gestores antigos de quase um século, como pessoas DESONESTAS E INCOMPETENTES ao gerir esse patrimônio público, que é a Santa Casa de Barretos; com a população sentindo-se AGORA, isto é, EM TEMPOS ATUAIS de 4 anos, notoriamente desprotegida pela ausência de experiência e expertise dos calejados e renomados médicos, acintosamente marginalizados pelo referido Sr. gestor;
– pois bem, o que se vê agora, é a péssima qualidade de atendimento em quase todos os setores de especialidades clínicas, degradada como nunca, exatamente nos seus 4 anos de gestão: o absurdo é estar essa unidade de saúde, vital para a população de Barretos, como é a Santa Casa, ser levada a tal condição e penalizada com queixumes de dificuldade financeira, exatamente em suas mãos; pior: péssimos resultados e desfechos de tratamentos, ainda, em momentos recentes;
– incoerência financeira: nunca Barretos recebeu tanto recurso financeiro, dos governos federal e estadual, nesses últimos 2 anos, até por conta de uma pandemia que em Barretos foi das piores do Brasil, ficando dúvidas quanto à real destinação do recurso que veio, certamente sem aplicação em medicamentos precoces, testes da doença e maculada com morte em flla de espera de vaga no hospital;
-de não se esquecer que uma das gestoras do hospital, por ele ali colocada, em dado momento, ficou envolvida em “sumiço” de dinheiro, e indo embora da cidade, sem que a verdade fosse revelada do que efetivamente aconteceu;
– a grave incoerência é que o hospital (de natureza pública) como é a Santa Casa, ter recebido migalhas desse grande montante (mais de 100 milhões), que acabou sendo maciçamente remunerador dos hospitais e fundações privadas da cidade: essa é uma incoerência que precisa de muitas explicações, com o absurdo do hospital público ficar mitigado do aporte de recursos financeiros exatamente dos cofres públicos;
– incoerência ainda, é receber o Sr. Ministro da Saúde em Barretos, mostrar o setor de Câncer que administra, levar a um IRCAD, que é vitrine “francesa” de treinamento médico e, na prática, “sonegar” uma visita à Santa Casa, seu único hospital geral, ou seja: próximo de uma elite formadora de cirurgiões e longe do principal “porto (in)seguro” da grande população;
– incoerência das maiores: o referido gestor, Sr. Henrique Prata, administra dezenas de hospitais Brasil afora, na área oncológica sendo estranho não conseguir equilibrar a gestão do principal hospital geral de sua cidade, o qual usa com função de escola médica de seu interesse particular, ao ponto, (porém) de a população ficar assustada quando necessita de atendimento nessa sagrada casa.
Chama atenção aquilo que um médico experiente, gabaritado e respeitado vem questionando frequentemente: “Se nós médicos precisarmos de um procedimento cirúrgico de urgência, e por acaso os respeitados cirurgiões não estiverem na cidade, o que será de nós?” Decorrente disso, é possível a qualquer cidadão imaginar o que está acontecendo exatamente porque tais consagrados cirurgiões estão absurdamente marginalizados da Santa Casa, calculando o que passa a restar ao povo mais carente…
Mais do que nunca, esse monopólio na saúde pública de Barretos precisa de uma intervenção de autoridades Estaduais ou Federais, uma vez que a parte mais interessada, a grande população, merece ter seu maior bem (a VIDA) protegido pela melhor Medicina praticada em todos os cantos de nosso Estado, conforme aqui sempre aconteceu.
Jamais ser palco de “políticos ambulantes”, de olho em interesses particulares, imaginando que palavras jogadas ao vento possam ainda continuar enganando a grande maioria das pessoas.
Enfim, fica valendo o clássico ditado: “É possível enganar muitas pessoas por pouco tempo; enganar poucas pessoas por muito tempo; mas, não se consegue enganar a todas por toda a vida.”
Assim como, o chinês outrora dissera: “A versão correta do fato pode ser a sua, a minha ou uma terceira, verdadeira, que pode coincidir com a minha ou a sua.”

 

Dr Fauze José Daher
Médico-GastroCirurgião, ex Diretor
Clínico da S. Casa de Barretos, ex
Presidente da Assoc. Paulista de
Medicina – Reg. de Barretos.
Colégio Brasileiro de Cirurgiões
(TCBC), Mestre em Ciências
pela Universidade Federal de São
Paulo (UNIFESP), ex Vereador
Constituinte de Barretos e Advogado

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