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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Artigos

Santa Casa e o “abafamento” da realidade

Sra. Marília, há décadas voluntária da Santa Casa de Barretos, liga-me ao telefone para fazer um apelo: não pare de fazer os apontamentos e denúncias da péssima qualidade de atendimento no hospital.
Questiona sobre o que seria preciso fazer (ainda mais) para que a conivência, passividade, indolência e insensibilidade acabe de existir em todos os setores de saúde da cidade.
A última medida da gestão geral: proibir a atividade dos voluntários que, há 7 décadas atuavam no hospital… O que seria difícil de entender, tal aberração de postura, em verdade, faz parte de um conjunto de medidas absurdas em um hospital.
A meta ou objetivo é de fato evitar a publicização das coisas ou realidades que jamais deveriam ser escondidas. Faz parte de uma gestão com pouquíssima transparência.
Senão, vejamos o elenco de medidas aberrantes que já existem: médicos não poderem conversar com os médicos que atendem os pacientes; parentes ou acompanhantes com limitadíssimo acesso em visitas ou fora de visitas (nesse caso, jamais…); médicos da cidade, cerceados no pleno exercício e direito, proibidos de internarem pacientes no hospital; médicos fora de Barretos, com pais ou parentes internados no “Sistema Amor” ficarem vedados de receberem informações do médico plantonista da UTI; e assim, por aí, vai….
É claro que os voluntários, com a tradição de ali colaborarem, conheceram a boa medicina que era exercida e assistem agora a profunda degradação do padrão oferecido aos pacientes, mormente, os dependentes do SUS. A saúde de Barretos (assistência à medicina geral), monopolizada pelo gestor de câncer, decaiu nesses 5 anos de absurda concessão sem licitação à Fundação Pio XII. Se a saúde é uma área com necessidade de máxima transparência em cada ato ou gesto oferecido ao paciente, fica evidente mais essa absurda e antipática medida de fechar as portas aos voluntários, para não dizer “expulsá-los”. A mais grave sonegação de atenção ao paciente (e familiares) é o sistema típico desse gestor de colocar um elenco de profissionais, em absoluta posição de aprendizagem e treinamento, sem a retaguarda de um corpo de especialistas em cada área no sentido de gabaritar a qualidade do atendimento. E assim continua: pacientes SUS tendo que ir para fora, de forma sacrificada, rebaixando cada vez mais a qualidade; resultados de tratamentos clínicos precarizados; cirurgias eletivas acumuladas motivadas por falta de profissionais gabaritados, em verdadeira “fuga” de pacientes com noção e conhecimento dos riscos que podem correr ao tentarem se internar na Santa Casa.
Impressiona como um elenco de verdades continuem a ficar sem atitude de autoridades, restando a esperança de que um Governador do quilate de Tarcísio de Freitas venha a tomar conhecimento e a necessária providência que o povo mais carente merece.
Enquanto isso, uma emaranhada rede de conflito de interesses, sustentada por valorização de resultado financeiro de toda natureza, continua a soar no falso discurso do “Amor”. Sempre na “matreira” enganação de autoridades trazidas a visitar o que é belo e enfeitado, ao mesmo tempo, “escondendo” a realidade da tradicional Santa Casa.
É o que podemos fazer, Sra. Marília. As indignações na cidade já são muitas, haja visto o que corre nas redes sociais, que podem atualmente servir de ferramenta importante. Basta “visitar” grupos no Facebook e WhatsApp do tipo “Barretos que Ninguém Vê”: povo está cada vez mais conscientizado dessa triste realidade.
Enfim, há esperança de que uma hora a “casa caia”, devolvendo a boa medicina à centenária e missionária Santa Casa.
Ela precisa ser urgentemente ser estadualizada e longe (muito longe) das mãos desse sórdido monopólio.

 

 

 

 

Dr. Fauze José Daher
Médico e Cirurgião Ex Diretor
Clínico da S. Casa, Ex Presidente
da Assoc. Paul. de Medicina – Regional
de Barretos e Advogado

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